terça-feira, 31 de outubro de 2006

Porque hoje é Halloween


CÃO DA MORTE[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Quentes e boas!


Quentes e boas! Quentes e boas!
Andar na rua e sentir aquele cheirinho de castanhas no ar...
É uma dúzia se faz favor...
O embrulho é um jornal. Nada de fitas ou papéis coloridos. Um simples jornal.
E depois sentir aquele quentinho nas mãos.
Afastamo-nos, mais bem dispostos, dando lugar a outros fregueses,
E o vendedor, com a cara marcada pelo tempo, continua com o seu pregão:
Quentes e boas! Quentes e boas!

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

O estado da Cultura

A cultura já há algum tempo que está rendida ao tachismo: no Porto e Lisboa existe uma agenda cultural, no entanto há muitos eventos que lá não figuram, e quando se lembram de pôr algum cartaz, é sempre à ultima da hora. Ou seja já não há bilhetes.
Já para falar daqueles espectáculos que dizem que estão esgotados, mas depois há dezenas de cadeiras vazias. Ou seja, seria para os amiguinhos e para os compadres.
E há também aquela velha guerrinha Porto/Lisboa: os melhores eventos vão todos para Lisboa e estão em cartaz 1/2 semanas, no Porto apenas 1/2 dias. O povinho lá diz "é sempre a mesma coisa, vai sempre tudo para Lisboa", mas a verdade é a culpa é de quem está a dirigir as casas de espectáculos, e no Porto, por razões que desconheço, quem está à frente das casas de espectáculos, opta por ficar com os restos e ainda por cima por poucos dias.
E este discurso todo devido à polémica com o Rivoli. Concorde-se ao não com a sua ocupação, é curioso ver que as pessoas que há uns anos atrás aplaudiram o Pedro Abrunhosa, quando este se acorrentou ao Coliseu, se calhar são as mesmas que agora chamam aos ocupantes do Rivoli "cambada de chupistas" ou "susidio-dependentes".
Pena é que o Pedrito já não precise dos holofotes dos media e de conquistar notoriedade...
Em vez de se estar a discutir quem tem ou não razão, deveria-se fazer um sério debate sobre a Cultura. Deveria servir para algo mais do que alguém aquecer a cadeira de ministro. ´

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Vindimas


O camião com os trabalhadores chegava por volta das 7h00. No chão já estavam dispostos os cestos, e procuravam-se agora as tesouras e as sogras (pedaço de tecido que as mulheres põem à cabeça na altura de irem despejar o cesto). Começam então a dirigirem-se aos pares para as fileiras de uvas que os aguardam, debaixo de parras que começam a pintar-se de laranja. O sol esconde-se por detrás do monte, e o ar cheira a vindimas.
Mãos então ao trabalho! Só se ouve o barulho, quase sincronizado das tesouras, e a jornada até às tinas para despejar o cesto, depressa começa. O caseiro também começa a sua ronda por entre as várias fileiras, para ver se foram deixados cachos de uva para trás, resmungando, como todos os anos faz, que o melhor seria contratar uma galinha para comer todos aqueles bagos desperdiçados, arrancando gargalhadas aos trabalhadores, já habituados aos seus ditos.
Vem a hora do mata bicho(lanche da manhã). Na fogueira assam-se chouriços ou farinheiras, o seu cheiro invade o ar, abrindo o apetite.
Vamos trabalhar mais um bocado! Agora é um instante até ao almoço...Alguns cantos e anedotas invadem o ar, que com a barriguinha aconchegada trabalha-se melhor. Vem o almoço, já com a habitual fogueira, assando-se então umas febras ou entrecosto, sempre acompanhado do suco divino fabricado por Baco. Vêm então as brincadeiras, as conversas ou uma soneca, até serem de novo horas para trabalhar.
Durante a tarde as horas voaram; esta vindima está a correr muito bem, se calhar amanhã pudemos ir para outro terreno, o patrão vai ficar contente.
Já se faz contas de cabeça ao dinheiro daquele dia, no dia da adiafa (fim da vindima) vai saber bem receber um bom dinheirito para compor as finanças.
No fim do dia de trabalho, o pessoal sobe mais uma vez para o camião. Lá vamos de regresso a casa. Amanhã há mais.

PS: Isto retrata uma vindima na Estremadura


segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Sugestões

Estive de férias uma semanita, e tenho de dizer que senti muito a falta desta coisa da blogosfera e de visitar os suspeitos do costume. Já estou viciada nesta coisa...
Estive em Lisboa e pus os programas culturais em dia. Deixo aqui algumas sugestões:

"A Senhora das Águas" - M.Night Shyamalan

Lá aparecem criaturas estranhas, como é típico nos filmes de Shyamalan, assim como heróis improváveis. Mas é um fime espectacular, e como é costume, é preciso ver 2 ou 3 vezes para se apreeender o significado do filme. A não perder.





"World Press Photo" - CCB

Até 22 de Outubro. Fotos de todo o mundo, a ilustrar as fomes, guerras e desgraças do planeta. Acho que muitas vezes a olhar para estas fotos, não nos lembramos do desespero que está por trás delas. No mundo multimédia em que vivemos, acho que as imagens que povoam o nosso mundo, tornam-nos insensíveis.



"Cats" - Coliseu dos Recreios

Até 22 de Outubro. Não há nada a dizer deste musical aclamado em todo o mundo. Um verdadeiro espectáculo, a merecer ser visto nem que seja uma vez na vida. Reparo para o Coliseu: fiquei muito contente por ver que o nosso do Porto é muito melhor que o de Lisboa. Maior, com uma melhor visibilidade para o palco e mais espaço entre as cadeiras para o pessoal passar. Quem já foi ao de Lisboa, sabe que se tem de ser um verdadeiro equilibrista, para puder passar entre as cadeiras.

Enquanto Salazar Dormia - Domingos Amaral

O meu livro durante as férias. Passado em Lisboa durante a 2ªGuerra Mundial, retrata o mundo da espionagem lisboeta. Cheio de acção, romance e emoção. Engraçado que não há muitos livros sobre esta temática, e pelos vistos, Portugal teve um importante papel no mundo da espionagem e contra espionagem. Será que temos assim tantos esqueletos no armário

My paradise