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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2009

Alma Perdida

A sua alma vagava sobre os penedos, rugindo atormentada, para todo o sempre AMALDIÇOADA...
Olhava com arrependimento para a sua vida passada,
Vida essa onde a luxuria imperava e o AMOR era negado,
Uma vida onde o som das FLAUTAS soavam toda a noite, acompanhadas de ODES a Baco.
Desejaria de ter tido a CORAGEM de ter vivido uma vida de SIMPLICIDADE,
Mas as luzes luxuriantes e manipuladores da noite eram como VITUALHAS para a sua alma.
Desejaria de ter PARTILHADO o seu leito com alguém de VERDADE,
E TECER esperanças e um amor puro,
Mas a sua alma era como um BENJAMIM mimado sempre sendente de caprichos,
Era como um BEIJA-FLOR bebendo do néctar de diferentes flores.
Só lhe restava agora olhar para este passado com amargura
E passar o resto da eternidade mergulhada num sombrio agrilhoamento.


Texto publicado no Eremitério no 12º Jogo das Palavras

Pena

Ontem foi dia de passeata. Destino: aldeia da Pena. Para quem não conhece trata-se duma aldeia com apenas 8 habitantes, perto de S.Pedro do Sul, encravada num vale. Uma aldeia onde se respira paz e tranquilidade. Recomenda-se o único restaurante na aldeia, que também vende algum artesanato, e tem pagamento por multibanco. Também se recomenda as vistas fabulosas da serra em volta.



Vento

A primeira vez que ouvi este "Wild is the Wind" de Nina Simone, fiquei apaixonada pelo seu som. Tem uma força e um toque de desespero sublime. Foi o primeiro passo para descobrir esta grande senhora.
Palavra Vento no Palavra Puxa Palavra

Calçada de Carriche

Dedicado a todas as mulheres:
Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Saiu de casa de madrugada; regressa a casa é já noite fechada. Na mão grosseira, de pele queimada, leva a lancheira desengonçada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Luísa é nova, desenxovalhada, tem perna gorda, bem torneada. Ferve-lhe o sangue de afogueada; saltam-lhe os peitos na caminhada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Passam magalas, rapaziada, palpam-lhe as coxas não dá por nada. Anda, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada. Chegou a casa não disse nada. Pegou na filha, deu-lhe a mamada; bebeu a sopa numa golada; lavou a loiça, varreu a escada; deu jeito à casa desarranjada; coseu a roupa já remendada; despiu-se à pressa, desinteressada; caiu na cama de uma assentada; chegou o homem, viu-a deitada; serviu-se dela, não deu por nada. Anda, Luísa. Luísa, sobe, sobe que sobe, s…

Luto

Quando uma relação de repente acaba, passamos por uma fase que alguns denominam de luto. Parece que o mundo desabou e andamos ao caídos, sem qualquer propósito e feitos zombies. As noites parecem mais longas, especialmente quando o sono teima em chegar, a cama mais fria, a saudade rói por dentro deixando-nos acorrentados a uma doce lembrança, deixando-nos de olhos vazios e de coração sofrido...

Mas teimamos em continuar a viver, ou a sobreviver, e muitas vezes para mitigar a dor, saltitamos de cama em cama, entregando-nos a corpos e suores estranhos: "Tantos quartos de hotel, amar e partir". E chega uma certa altura que acabamos por ter pena de nós próprios, um dos piores sentimentos que podemos nutrir...

E chega um dia que o luto acaba...olhamos para trás, para este tempo de trevas e pensamos: tanto tempo que desperdicei...

Sítio Pirata

Foi com grande prazer, que um dia, o meu amigo Tone, me anunciou que iria começar a escrever no Eremitério e que iria criar um blogue. E vai daí nasceu o Sítio Pirata, um sítio de escrita sensível, atenta e inteligente...a cara do seu criador, portanto.

E tem piada que depois de tantos anos a trabalhar juntos, só agora descobrimos que nos une um sentido de humor muito british e uma grande cumplicidade, aquele tipo de cumplicidade que não é preciso dizer nada, bastando olhar um para o outro e descobrir o que o outro está a pensar.

Felicidades para a tua escrita Tone, e que o teu blogue continue com a excelente qualidade a que já me habituaste.