segunda-feira, 26 de abril de 2010

"O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação."

- Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta -

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Equilibrio

O Universo tende para o equlíbrio, tudo se conjuntando, tudo funcionando com a precisão de um relógio suiço...
Tic Tac Tic Tac...
No entanto esse equilibrio é muito precário, assentando em pilares muito fragéis...
E quando começa a entrar areia na engranagem, tudo se torna uma ameaça a esse equilíbrio...

sábado, 10 de abril de 2010

Vazio


"Era um cansaço que nunca experimentara antes. Uma profunda fadiga estrutural, como uma ponte antiga que tivesse sustentado várias eras de trânsito e aguentado com imparáveis toneladas de água."
- in, "O Cego de Sevilha", Robert Wilson

Tal como a paisagem lá fora, os pensamentos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, não se fixando em nada de concreto. Limitam-se a atropelarem-se, uns atrás dos outros.
Saio lá para fora…
Espera-me uma paisagem estéril, abandonada, esquecida por tudo e todos. Uma paisagem no meio do nada, rodeada pelo nada…
Sinto uma inquietação dentro de mim, sinto-me incomodada por todo este grande vazio, sem saber a razão para tal.
E de repente sei…
Também eu me sinto invadida por uma desolação sem fim, vazia, oca.
Tanto falei, tanto analisei todos os pensamentos e acções, que agora me sinto vazia.
Sinto que a minha alma fugiu de mim, sinto que o meu ser já não me pertence.
Sinto-me como um barco à deriva, que perdeu a âncora que o prendia, sinto-me no meio da tempestade.
Sinto-me perdida…
Gostava de adormecer e acordar só daqui a algum tempo, quando a minha alma regressasse ao meu corpo…
© MAC -

quinta-feira, 8 de abril de 2010

NÃO HÁ ÉTICAS INDOLORES


Foi no outro dia, num seminário, que ouvi esta frase fabulosa...A palavra ética deriva de Ethos (morada), e na nossa sociedade torna-se dificil construir e solidificar esta nossa morada interior. A sociedade encontra-se cada vez mais virada para o consumo imediato, para a cultura "mastiga e deita fora". O aqui e agora, a aquisição de bens materiais como forma de provar um status, substituiram o "querer ser" pelo "querer ter", cultivando-se o culto da eficácia e do sucesso. Sinto como se palavras como "dever" e "princípios" pertencessem a épocas remotas.
Construir a nossa morada interior, implica ser responsável pelas nossas acções, aceitando as suas consequências. É muito mais fácil olhar para o lado,omitir o desagradável, deitar fora o que não interessa e adquirir algo de novo. Ser ético implica um grande esforço, implica não desistir e ter a coragem de construir algo, mesmo que as consequências das nossas verdades impliquem um desabar do nosso mundo.
Tenho sentido na pele as consequências de ser-se sincero, e por vezes desejo voltar atrás e apagar esse momento da minha vida. Teria sido tudo bem mais fácil...
Mas...se calhar as escolhas teriam sido diferentes; resta-me a consolação de saber que fiz a escolha acertada e de saber que posso olhar-me ao espelho...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Velhos Amantes

Amor que grita, amor que cala / amor que ri, amor que chora / mil vezes eu peguei na mala / mil vezes tu te foste embora / E tanto barco a ir ao fundo / tornava o mar da nossa casa / em oceano de loucura / quando oscilava o nosso mundo / eu perdia o golpe de asa / e tu o gosto da aventura / Ai meu amor amargo doce e deslumbrante amor / amor à chuva, amor em sol maior / amor demais amor eterno / Conheço bem os teus desejos / e tu as minhas fantasias /
morreste em mim todos os beijos / nasci em ti todos os dias / Se muita vez fomos traição / e muita vez mudou o vento / e muito gesto foi insulto / em tanta dor de mão-em-mão / nós aprendemos o talento / de envelhecer sem ser adultos / Ai meu amor amargo doce e deslumbrante amor / amor à chuva, amor em sol maior / amor demais amor eterno / E quanto mais o tempo passa / e quanto mais a vida flui / e quanto mais se perde a graça / do que tu foste e da que eu fui / Mais a ternura nos aperta / mais a palavra fica certa / mais o amor toma lugar / envelhecemos mais depressa / mas nos teus olhos a promessa / vai-se cumprindo devagar / Ai meu amor amargo doce e deslumbrante amor / amor à chuva, amor em sol maior / amor demais amor eterno.

"Os Velhos Amantes" - cantado por Misia, adaptado por Rosa Lobato Faria

Ying/Yang, noite/dia, optimismo/pessimismo, serenidade/tempestade, chuva/sol ...mil vezes a ameaça da partida, mil desentendimentos...
Tudo coisas que à primeira vista poderiam ser vistas como ameaças, e ser vistas como motivo de afastamento, mas que quanto a mim tem vindo a servir para consolidar ainda mais os nossos sentimentos e a ajudar-nos a percorrer o nosso caminho.
Apesar de todas as nossas diferenças, conseguimos cultivar um companheirismo, cumplicidade, um querer estar...
Se alguém trilhar um caminho de montanha, e não se deparar com qualquer obstáculo, chega-se ao cimo sem qualquer sensação em especial. Agora, se depararmos com silvas que nos deixam todos arranhados, com pedras que teimam em barrar-nos o caminho, com subidas ingremes que nos cortam a respiração, quando chegamos ao fim sentimos uma felicidade e um extâse sem par. E tu és a pessoa ideal para trilhar este caminho, pois não vais à minha frente para alumiar o caminho, nem vais atrás de mim para me empurrares. Vamos antes lado a lado, ajudando-nos mutuamente perante as dificuldades que surgem...
© MAC -

My paradise