sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quimica

Como sou um pouco introvertida, uma das situações na minha vida social que me causa alguma inibição é conhecer novas pessoas. Para já, e apesar de me adaptar a todos os feitios e manias, háaqueles pequenos pormenores que fazem toda a diferença, depois há a pressão de querer causar boa impressão, depois instalam-se aqueles silêncios incómodos em que se fica sem saber o que dizer, e depois chega-se à conclusão de que aquela pessoa pouco ou nada nos interessa.
É um achado quando acontece o inverso do que estaríamos à espera...quando existe uma boa quimica, e a conversa flui sem qualquer tipo de esforço, falando sobre tudo e sobre nada, e quando algum silêncio se instala é um silêncio natural, sem ser incómodo...Há noites que se revelam autênticas surpresas...

domingo, 3 de maio de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lonesome Cowboy


Hoje fui ao cinema...literalmente sozinha, pois além de ir sem companhia, a sessão a que eu prefiro ir (por volta das 18h00) raramente tem assistentes. Hoje estavam dois.
O que é curioso é que quando eu digo que vou ao cinema sozinha, toda a gente (ou quase toda) fica a olhar para mim como se eu fosse um extra-terrestre. Acham muito fora do normal alguém fazer algo sozinha, e ainda por cima por opção própria.

Toda a gente conhece aquelas frases engraçadas como "Conhece-te a ti próprio", ou "Se eu não gostar de mim, quem gostará", mas raras são as pessoas que usufruem e tiram prazer da sua própria companhia.

E eu não entendo em como há pessoas que só se sentem bem rodeadas de outras pessoas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Tardes de Chuva

Chá na Casa de Ló

A chuva e o frio resolveram tornar a dar o ar da sua graça...O tempo ideal para se descobrir novos chás e novos sons.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Páscoa


Mais uma Páscoa se aproxima...e com esta época lá vêm as amêndoas e mais calorias, a exibição de Ben-Hur pela milionésima vez, a exibição em todos os telejornais das auto flagelações nas Filipinas...

Tirando estas imagens mais mediáticas, temos ainda a transmissão da Via-Sacra...acho que independentemente do Deus de cada um, esta é uma ocasião de recolhimento e introspecção, e acho que poucos ficam indiferentes à capacidade de sofrimento que um Homem teve e à Sua morte tão dolorosa.

Boa Páscoa para todos...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Porque será...

...que há pessoas que só nos consideram simpáticos ou porreiros quando começamos a dar informações sobre a nossa vida pessoal (e quantas mais, melhor), ou a ter conversas de cacha, daquelas conservas de deitar fora, e cujo conteúdo não interessam a ninguém?

domingo, 29 de março de 2009

Alma Perdida

A sua alma vagava sobre os penedos, rugindo atormentada, para todo o sempre AMALDIÇOADA...
Olhava com arrependimento para a sua vida passada,
Vida essa onde a luxuria imperava e o AMOR era negado,
Uma vida onde o som das FLAUTAS soavam toda a noite, acompanhadas de ODES a Baco.
Desejaria de ter tido a CORAGEM de ter vivido uma vida de SIMPLICIDADE,
Mas as luzes luxuriantes e manipuladores da noite eram como VITUALHAS para a sua alma.
Desejaria de ter PARTILHADO o seu leito com alguém de VERDADE,
E TECER esperanças e um amor puro,
Mas a sua alma era como um BENJAMIM mimado sempre sendente de caprichos,
Era como um BEIJA-FLOR bebendo do néctar de diferentes flores.
Só lhe restava agora olhar para este passado com amargura
E passar o resto da eternidade mergulhada num sombrio agrilhoamento.


Texto publicado no Eremitério no 12º Jogo das Palavras

domingo, 22 de março de 2009

Pena

Ontem foi dia de passeata. Destino: aldeia da Pena. Para quem não conhece trata-se duma aldeia com apenas 8 habitantes, perto de S.Pedro do Sul, encravada num vale. Uma aldeia onde se respira paz e tranquilidade. Recomenda-se o único restaurante na aldeia, que também vende algum artesanato, e tem pagamento por multibanco. Também se recomenda as vistas fabulosas da serra em volta.



domingo, 15 de março de 2009

Vento

A primeira vez que ouvi este "Wild is the Wind" de Nina Simone, fiquei apaixonada pelo seu som. Tem uma força e um toque de desespero sublime. Foi o primeiro passo para descobrir esta grande senhora.
Palavra Vento no Palavra Puxa Palavra

domingo, 8 de março de 2009

Calçada de Carriche

Dedicado a todas as mulheres:
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967)

This used to be my playground