sexta-feira, 9 de maio de 2008

Democracia

No "DN" de Domingo, 4 de Maio, podia-se ler: Democracia portuguesa é das piores da Europa.

Segundo um estudo da Demos, uma ONG britânica, Portugal, dentro de um leque de 25 países europeus, está em 21º lugar no "index da democracia quotidiana" ("Everyday democracy index"-EDI). Para além de ser avaliada a democracia formal, na forma de eleições, também é avaliada a democracia informal, como a resolução dos problemas em sociedade ou dentro duma família.

E é este último critério que influencia negativamente a nossa posição na tabela. Começa logo pela participação. Já foi mais do que dito e debatido neste blog a quão baixa é a nossa participação na vida política...alheamo-nos do que se passa à nossa volta; as poucas associações cívicas que existem não confiamos nelas, ou porque pensamos que estão conotadas com determinado partido, ou porque pensamos que estão conotadas com os interesses duma classe profissional em particular. Os poucos movimentos de cidadãos que existem, surgem perante um contexto muito específico, debatendo um problema específico, e numa cidade específica, esgotando-se quando esse contexto já não existe (por exemplo, o Movimento em Defesa do Bolhão). Contudo é nestes pequenos movimentos movidos pela multidão anónima, que mais uma pessoa pode fazer a diferença...

E depois temos a democracia dentro da família, uma família ainda dominada pela religião, e pelos valores que a Igreja (e não Cristo) nos quer impingir. Uma família ainda dominada pela figura masculina. Afinal, basta desfolhar o Código Civil para encontrar em muitas páginas o critério do "Paters Família",o bom pai de família. E já agora, o que significa isso hoje em dia?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Aldeia


Ele ajeitou a sacola já coçada da tropa ao ombro e preparou-se para subir o degrau do comboio regional. Depois duma semana de campo estafante, sempre debaixo de chuva e a ouvir a gritaria do sargento de instrução, e os ossos e a mente a pedirem-lhe descanso, aquela licença de fim de semana ia saber-lhe mesmo bem.
Ia de visita à terra, aquela pequena aldeia no meio do vale. Aquela aldeia que o viu nascer e fazer-se homem, testemunha dos seus amores e desamores e sorriu ao lembrar-se da sua terra e das suas tropelias enquanto moço. Era uma aldeia cruzada por apenas por meia dúzia de ruas que subiam e desciam conforme o relevo natural do vale, onde flores de várias cores e de vários cheiros espreitavam nos beirais das janelas; ali ao lado corria um ribeiro, onde os miudos e graúdos se iam banhar para se refrescarem do sol escaldante da época do estio. Era uma delícia ver o pequeno caudal encher-se de risos e de piruetas mirabolantes, a tentarem impressionar os elementos do sexo feminino ali presentes. Nas noites de Inverno, quando a sombra da noite tocava o vale mais cedo do que o habitual, e o frio se fazia sentir, acendia-se uma fogueira no centro da aldeia. O fogo que ao inicio surgia timido e ténue, em breve dava lugar a enormes labaredas, proporcionando troca de conversas entre novos e velhos, onde as tradições orais e os conhecimentos dos antigos eram passados para a próxima geração, criando-se assim uma atmosfera envolvente e de convívio.
A casa da tia Joaquina era a mais frequentada...fazia uns doces e bolos de criar água na boca, vendendo-os no mercado municipal da vila. Ela bem enxotava os miudos à vassourada, mas não adiantava...depois de se banharem no ribeiro, eles passavam religiosamente na sua casa, e apesar dos seus protestos, ela dava-lhes sempre uma generosa fatia de bolo de chocolate.
Lembrava-se ainda daquele ano em que queria comprar uma prenda para a sua primeira namorada e não tinha dinheiro. Pegou então numa caixa e lá depositou graxa e uma série de escovas, e andou de porta e porta a engraxar os sapatos aos aldeões, os quais aderiram cumplicemente a esta iniciativa, uma vez que sabiam desta paixoneta, e queriam ajudá-lo a fazer boa figura. Afinal não há amor como o primeiro, e quando as coisas acabaram, ele ficou com o coração destroçado. Ele tinha a ilusão, própria dos primeiros amores, que este seria um amor para a vida.
Ele acordou dos seus devaneios, acordado pelo estremecer do comboio na linha, e olhou lá para fora...ainda tinha uma longa viagem pela frente até à sua pequena aldeia, aquela aldeia no meio do vale...



Texto publicado no 2ºJogo das Palavras no Eremitério

sábado, 26 de abril de 2008

25 de Abril - Ressaca

O Poder Local Democrático constitui uma das maiores conquistas de Abril, que poderia contribuiria para a modernização e o desenvolvimento local e regional.
Em vez disso, vemos os políticos servirem-se desta grande conquista para arranjar tachos para os seus amiguinhos, o interesse público a ser usado para as negociatas ligadas ao imobiliário, os dinheiros dos contribuintes a serem gastos em coisas que não fazem a mínima falta, em subsídios para os clubes de futebol, a corrupção a alastrar...
A liberdade chegou, mas à boa maneira dos tugas, os políticos não souberam o que fazer com ela e usaram-na para o mal...

domingo, 20 de abril de 2008

Columbine

Faz hoje 9 anos que ocorreu o massacre na escola secundária de Columbine, onde 2 estudantes atiraram em vários colegas e professores.
Nós por cá exportamos tudo o que vem do lado de lá do oceano, violência incluída. Está-se agora a assistir ao fenómeno do car-jacking, e a violência contra os professores tem dominado a comunicação social., e Pinto Monteiro surgiu a falar sobre a presença de armas nas escolas.
Nos EUA já há muitas escolas que têm um detector de metais nas suas entradas a fim de evitar situações como as de Columbine.
Será que as coisas irão chegar a este ponto por cá? Vamos ter um dia detectores de metais nas nossas escolas? Vamos ter um dia um massacre como este que ocorreu?
Espero muito sinceramente que não, e espero que as pessoas responsáveis acordem para esta realidade o quanto antes, para que um dia não tenhamos de enterrar os nossos filhos...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Praia


Fugi em direcção à praia, a sentir um enorme distanciamento em relação ao mundo. Deixei-me cair, amortecida pela suave areia. Diante de mim encontrava-se um imenso mar de um azul avassalador, e o céu lá ao longe prenunciava o aproximar duma tempestade. No alto da falésia o erodido farol iria assistir a mais um espectáculo da natureza . E de repente senti-me de novo em fusão com o mundo, a comungar da sua força...


Texto publicado no 1ºJogo das 12 letras no Eremitério

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Reconciliação

Às vezes é necessário as relações levarem um abanão, para que a magia inicial se instale novamente.
E depois, o sexo de reconciliação é tão bom :-)) ...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Petição

O 'Artista' que matou um cão à fome vai repetir o acto...
Atrasado mental que continua a pensar ser artista...Guillermo Vargas Habacuc, é um suposto artista que colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e de sede. Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galería de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal.
Até que finalmente morreu de inanação, depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario da besta chamado Homem.
Mas nao é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, que a selvageria cometida por esta Besta das artes, Guillermo Vargas Habacuc fosse novamente convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008, acto este que podemos impedir, colaborando com a nossa indignação, protesto e assinatura nesta petição:
http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html, para enviar a petição contra o chamado 'artista' por tão cruel acto, por tão ínfima sensibilidade ao desfrutar em prazer com a dor alheia.

'Haverá sempre um cão abandonado ou indefeso, que me impedirá de ser feliz...'

quinta-feira, 27 de março de 2008

Iraque

Palavra Iraque, no Palavra Puxa Palavra

5 anos depois, há um misto de sensações ligadas a este país, e a sensação dominante é perplexidade e vergonha. Perplexidade, pela capacidade de manipularem a realidade, perpetuarem esse mentira, destruirem um país e milhares de vida, e ainda estarem a rir-se, fumando charutos acesos com dólares banhados de petróleo e sangue. Pode ser que daqui a 50 anos, ainda haja a moda de retratar-se por crimes cometidos, e os políticos da altura peçam desculpas à Humanidade por estes actos...

Vergonha, que é coisa que os governantes mundiais não têm...vergonha por a Europa ter sido cumplice neste crime contra a Humanidade; vergonha por nós Europeus, mais uma vez, não termos conseguido dizer "não" ao sr.Bush; vergonha por deixarmo-nos arrastar para toda esta hipocrisia...

E depois somos nós, Europa, que pagamos a factura das loucuras cometidas pelos outros...pagamos a factura da segurança, na forma de ameaças, na forma de fundamentalismos, na forma de matar a liberdade de expressão, na forma de matar o nosso modo de vida. E a tudo isto acenamos que sim, pois o politicamente correcto assim o ordena...

Iraque, Tibete, Darfur...palavras diferentes para uma hipocrisia igual...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Tejo

Por veto presidencial, a zona ribeirinha de Lisboa vai continuar nas mãos da Administração do Porto de Lisboa. Esta decisão, quanto a mim, é um pau de dois bicos. Se, por um lado, evita a especulação imobiliária nesta zona da cidade, e a proliferação de "mamarrachos", por outro lado, é o continuar do divórcio entre a cidade e o seu rio.
Quem quer passar uns bons momentos à beira-rio, só o pode fazer no Parque das Nações, Docas e junto a Belém, de resto, tudo está interdito graças à extensão do porto.
Como é que uma cidade, que canta amiude o seu rio, vive de costas voltadas para o mesmo?

terça-feira, 11 de março de 2008

Washington retira China da sua lista negra dos direitos do Homem , isto apesar de o relatório anual sobre os direitos do Homem, publicado pelo departamento de Estado americano, reconhecer que o governo chinês continua a "supervisionar, incomodar, deter, parar e encarcerar jornalistas, escritores, activistas e advogados, bem como as suas famílias, que procuravam para a maior parte exercer direitos previstos na lei”, e que este mesmo governo "continua a negar aos seus cidadãos os direitos do Homem e as liberdades fundamentais básicas".

E o Tibete ali tão perto...Um dia (quando por lá se encontrar uma jaziga de petróleo) gritará: "Free at last! Free at last! Thank God Almighty, we are free at last!"*

*(Martin Luther King)

This used to be my playground