quarta-feira, 4 de julho de 2012

Distância

Não. Ninguém sabe de ninguém os mundos
que cada um habita.

Falo-te. Nunca te disse.
em longas falas digo-te coisas tão particulares
de cada um de nós
de tudo em volta.
Das pequenas misérias diárias
dos pequenos nadas do livro que se leu.
Do que se sente
do que se pressente do que dói.
Das coisas diárias…
Do reparar nas coisas. A beleza das coisas.
Da harmonia do silêncio. A harmonia.
Das raízes sinuosas do afecto os inexplicáveis elos.
Tudo fica entre mim. É quasi perfeito como diálogo, o nosso. 
Que me responderias? 
Que me poderias responder melhor 
do que aquilo que te atribuo como resposta? 


Na minha distância espero-te 
sabendo que não sabendo tu que te espero nunca virás. 
É isso essencialmente a distância. 
Aí preparo em cada dia 
especiais momentos para a tua inexplicável chegada. 


 — Maria Keil, Árvores de domingo

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