quarta-feira, 30 de novembro de 2011

My lovely Mirror

Look at the mirror It doesn't know you anymore
It doesn't talk anymore
It doesn't kiss you anymore
You don't know who you are
You just have to know that mirror look
And all, everyone, everything, is too much
For you...

- The Gift/my lovely mirror -

Smoky Black

sábado, 12 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Camuflado

This man...


Um dia ousei nascer...
Furei pelas entranhas da vida pontapeando e gritando.
E assim vivi...
Rasgando a miséria, desafiando a sorte e o fado que me estava destinado...
Nunca virei costas a um desafio, e enfrentei-os de peito aberto.
E ousei amar...
Amei com todas as fibras do meu corpo, com a mesma sofreguidão com que vivia a vida,
Entregando-me sempre com uma entrega renovada...

O fado bate constantemente à minha porta...vivi, amei, sofri, perdi.
Vivo com a perda perpétua, restando-me a desilusão e o peso dos anos.
Resta-me agora esperar a morte, 
Ousando assim desejá-la e torná-la minha amante...
Porque tardas tanto?

domingo, 30 de outubro de 2011

Todos os equilíbrios são instáveis



E um dia, uma tristeza avassaladora abateu-se sobre ele, como uma noite sem lua, deixando-o completamente desesperançado. Mas o que não se vê não deixa de existir: todos os equilíbrios são instáveis.
- Luis Ene -

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


A Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia…. - Friedrich Nietzsche

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Às vezes...


...tolda o pensamento...

Encolhemos debaixo da nossa pele,

Resequimos perante ele.

Criamos rotinas para nos sentirmos mais seguros...

E assim ficamos...quietos à espera que passe.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Eu sei, mas não devia


Retirado daqui

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
- Marina Colasanti -

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Estrela da Tarde


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
- ARY DOS SANTOS -

Onde tu me Quiseres

"Sem cor, sem tom
Com a voz que Deus me deu
Eu sei que sou
O que sempre desejei
O canto que canto
Aos quatro cantos vai
E é meu, é teu
E além-mar ou mais

Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Porque no amor nunca é demais amar

Sem rumo sem norte
Com o amor que Deus me deu
Irei de peito aberto
Para onde o destino me levar
O pranto que sinto
Cada vez que te canto
O Amor é fruto
Do que sentes por mim

Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Porque no amor nunca é demais amar

Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Eu vou, eu estou onde tu me quiseres
Porque no amor nunca é demais amar."

- AMOR ELECTRO -

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Tantas pessoas vivem numa rotina tão exata, que é difícil de se acreditar que elas vivem pela primeira vez." 
- Stanislaw Jerzy Lec -

quarta-feira, 8 de junho de 2011

The Tree of life



Nascimento, Crescimento, Morte...
Extinção, Renovação...
Passado, Presente...
Inocência, Desilução...
A Natureza como manifestação de Deus,
Ou a Natureza como o próprio Deus?...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Contos de Fadas...

"A Disney mudou várias gerações e a minha não é exceção. Na verdade, sempre que uma relação termina, não são raras as vezes que oiço as mulheres queixarem-se de que a culpa é da Disney, que as ensinou - no baixo dos seus 5 anos - que existem príncipes encantados e que vão viver felizes para sempre.

Recordo-me que, há uns anos, num daqueles "jantares de emergência" que se fazem entre amigas depois de uma delas ter terminado uma relação "que seria para a vida", a protagonista da história - a minha amiga, advogada de profissão - informava que devia processar a Disney por publicidade enganosa.

Foi dessa altura que surgiu a categorização de que vos falo de seguida:

O Príncipe (Branca de Neve): o panhonha


O príncipe da Branca de Neve ganha uns pontinhos por ter sido o primeiro na nossa vida (e nós gostamos disso), mas as suas qualidade acabam por aqui. Este príncipe é o típico panhonha - não faz nada de especial, limita-se a ficar ali especado à espera que tudo aconteça. É tão pouco importante que nem tem nome. Não há paciência.

Recordemos a história: (blá, blá, blá) a Branca de Neve come a maçã envenenada e é colocada no caixão. O príncipe, que andava ali pela floresta, não se sabe muito bem a fazer o quê, tropeça no caixão de cristal por acaso (nestas histórias o vidro é sempre cristal), e... não faz absolutamente nada! Limita-se a levar a pobre moça para o castelo, para a venerar. No caminho a carruagem tropeça e o pedaço de maçã que estava na garganta de Branca de Neve sai, trazendo a princesa de volta à vida. A intervenção do próprio? Nenhuma. Além disso veste-se mal, usa uma capa ridiculamente curta e collants. Por favor. Não começamos bem.

Aladino: bom-coração e boa-cabeça


O Aladino é um herói com pinta. É o típico homem que as nossas mães querem como genro e as nossas amigas nos dão cotoveladas a dizer entre sussurros: "grande sorte, ele é mesmo o pai dos teus filhos". O homem Aladino é inteligente, esperto, ágil, generoso e procura a justiça. Luta para poder alimentar o seu povo (que fofinho!) e é corajoso até mais não (luta contra uma cobra gigante com apenas uma pequena e humilde espada). Para além disso, usa aquela roupa descontraída (um pequeno colete que revela o seu belo "six-pack") e faz-nos sonhar com "Mil e uma Noites". Já ganhou! Se tem um homem assim, prenda-o em casa.

Peter-Pan: a eterna criança


O homem Peter-Pan é provavelmente uma das piores personagens masculinas com que alguma vez se vai cruzar na vida real: tem um ar tão querido, destemido e divertido que nos dá uma vontade irresistível de o adotar para o resto da vida. O problema? É que nunca cresce! O homem Peter-Pan tem aversão a compromissos, foge das responsabilidades "como o diabo da cruz" (sempre quis utilizar esta expressão) e é altamente imaturo a tomar decisões. Se tiver paciência para o "acabar de criar"... ótimo, senão, antevejo graves problemas e algumas desilusões (tirei um curso com o professor Karamba). O melhor é mandá-lo de volta para as saias da mãe.

Hércules: o betinho de Cascais falido


O Hércules é o típico miúdo que nasceu numa família rica (caramba, o rapaz é descendente de um Deus) mas que depois se teve de fazer à vidinha como um simples mortal. Foi para a capital, lutou contra uns monstros, e quando estava quase a morrer salvou-se, salvou mais umas pessoas e tornou-se objeto de desejo de qualquer mulher. É oself-made man que no fundo, no fundo teve uma ajudinha. Se este homem fosse português, provavelmente teria um belo emprego porque o pai tinha mexido uns "cordelinhos" (a famosa cunha) ou teria um apelido sonante que lhe abriria muitas portas apesar de não ter um tostão. O problema é que nunca ninguém chegaria a saber se ele é mesmo competente ou se foi tudo um "acaso de sucesso". Para si, pode ser uma boa aposta, desde que consiga perceber que o homem tem mesmo talento.

Príncipe Eric: o "bon vivant"


Para quem não está assim a ver logo quem é este príncipe, eu dou uma ajudinha: é o príncipe da "Pequena Sereia". O príncipe Eric é um rapaz simpático, gosta de velejar, é giro, descontraído, romântico e rico. Na verdade é um bom vivant no sentido positivo da palavra e um ótimo partido para as mulheres. Gosta de mulheres ousadas, (afinal a Ariel é a única personagem de desenhos animados que alguma vez fez uma cena de nu integral) mas nem por isso deixa de ser tímido: leva um filme inteiro para beijar a rapariga e nem mesmo um passeio romântico de barco e um coro inteiro de rãs, gaivotas e peixes fez com que o rapaz tomasse a iniciativa! Força Eric, tu consegues.

Monstro: o colega de carteira da secundária


O Monstro (da Bela e do Monstro) é um dos meus heróis favoritos. Faz lembrar o típico colega da escola secundária, que era o nosso melhor amigo mas que nunca teve namorada porque era ou magro ou gordo demais, tinha borbulhas, e como era alto tinha um ar meio desajeitado. Quando o cruzamos com ele, uns anos depois, é um homem com uma aparência extraordinária, inteligente, carinhoso (afinal passou a adolescência toda a estudar e a sentir-se sozinho) e agora o que mais quer é encontrar a mulher da sua vida e fazer muitos monstrinhos. Hum... Adorável. Só não aparecem é muitos deste"

Retirado daqui

domingo, 17 de abril de 2011

Pleasure

Imagem retirada daqui

Abandonada ao prazer,
Espoliada de toda a razão e racionalidade...
Firmo as costas contra o chão e deixo-me arrebatar...

Strange

Imagem retirada daqui

Caverna

Imagem retirada daqui

Hoje, como ontem, continuamos a habitar a caverna de Platão.
Vivemos rodeados de sombras e pensamos que esse é o mundo real...
Alguém nos disse que esta é a realidade,
E nós aceitamos...

Relativity

Imagem retirada daqui

E quem disse que o mundo tem de ser redondo,
E quem disse que existem cores?
Convenções...
Tudo é relativo...

Rain

Imagem retirada daqui

Scape

Imagem retirada daqui

Deixei os sapatos abandonados e corri...
Quem disse que eu queria ser a Cinderela e esperar por uma madrinha e um principe?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Viver

Há fins de semanas que são espectaculares, que nos lembram que ainda estamos vivos, que sentimos, que ainda pulsamos...

É bom ter um fim de semana sem qualquer tipo de responsabilidade, sem pensar em trabalhos ou em horas, apenas tirarmos bom proveito de estarmos vivos...

Andei de bicicleta, fui ver os Gift, andei na areia atrás de 1 cão...fiquei com os musculos a doer, com as pernas sem poder mais, mas só me vem 1 pensamento à cabeça:

Estou VIVA, estou VIVA, estou VIVA!!!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

“No fundo sou sozinha. Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupe. Estou tão só. Eu e meus rituais. O telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa.”
- Clarice Lispector

domingo, 3 de abril de 2011

E hoje é o 119º aniversário do primeiro gelado sundae...
Pode ser um gelado de massas, mas aquele gelado branco fofinho com o topping de chocolate por cima...hummmm...

segunda-feira, 28 de março de 2011

East or West?

Photographed by Mac

«…”We live” writes Pursewarden somewhere, “lives based upon selected fictions. Our view of reality is conditioned by our position in space and time – not by our personalities as we like to think. Thus every interpretation of reality is based upon a unique position. Two paces east or west and the whole picture is changed”. Something of this order…»

Balthazar (Second volume of The Alexandria Quartet), Lawrence Durrell, Penguin Books



terça-feira, 15 de março de 2011

O Povo está cansado...


Imagem retirada daqui

Imagem retirada daqui


Imagem retirada daqui


Esta manifestação, ao contrário do que muitos tentaram passar, não era só para os jovens...era para toda a gente que está em situação precária. As pessoas de 45/50 anos que têm o "azar" de ver a fábrica em que sempre trabalharam, falir, e os patrões fugirem com o dinheiro, ainda estão em pior situação que os jovens acabados de tirar a licenciatura...Nem toda a gente tem a "sorte" de acabar a sua licenciatura a 1 Domingo...
Os politicos não vêem, ou não querem ver: Geração à Rasca, Homens da Luta, Manuel Alegre (quando era independente,) é toda a face da mesma moeda, ou seja, descrédito total, desconfiança e cartão vermelho a toda a uma classe política e aos Velhos do Restelo...
O povo está cansado destes políticos...

terça-feira, 8 de março de 2011

Extase...

Photographer: Игорь Шитиков

Cavalgo no teu corpo,
Deixo-me levar pelas ondas do desejo,
Sentindo-o crescer cada vez mais,
Finco as unhas na tua pele,
Sinto-te duro dentro de mim...

Passos Solitários

Imagem retirada daqui

Os passos solitários deambulando...
O peso dos pensamentos, da solidão, deixam marcas profundas na areia molhada,
Os pés movem-se lentamente,quase pedindo licença para se colocarem um à frente do outro...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

127 HOURS



Fui ver este filme ao Fantas e foi fenomenal...mostra-nos a vontade e determinação do ser humano, mostra-nos que o egoísmo traz algumas consequências desagradáveis, deixa-nos a pensar se, realmente, todos os passos que demos na nossa vida foi para levar-nos àquele sítio e àquela circunstância...
A mim incomoda-me esse pensamento, pensar que terei a minha vida delineada e planeada, e todas as decisões que tomei, todos os caminhos que escolhi estavam pré determinados...
Destino, Fado...Incomoda-me pensar que posso apenas ser uma marionete, um joguete, e que ao fim ao cabo tudo estava decidido...
Acredito sim que as nossas acções têm consequências, e que um contínuo de acções poderão levar-nos a uma circunstância, benéfica ou trágica...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fallen Angel

Photographer: О. Шелегеда

Hoje cai em mim...
Tomei consciência da minha condição de pecadora,
Caindo em tentação pela luxúria, pela gula, pela ira...
Sinto frio...
Sinto a minha alma gélida...
Hoje,
Percebi que sou mortal...

Reduzi-nos à servidão, contanto que nos alimenteis

“Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. Em lugar de pacificar a consciência humana de uma vez por todas mediante sólidos princípios, Tu lhe ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas: a liberdade. Agiste, pois, como se não amasses os homens... Em vez de Te apoderares da liberdade humana, Tu a multiplicaste, e assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade...”
"Nenhuma ciência lhes dará pão, enquanto permanecerem livres, mas acabarão por depositá-la a nossos pés, essa liberdade, dizendo: ‘Reduzi-nos à servidão, contanto que nos alimenteis’"
- Dostoievski, in "Os Irmãos Karamazovi" -

Os homens veneram a palavra liberdade, e a sensação de poderem voar livremente sem barreiras, mas têm medo do precipicio e da insegurança...Preferem servir e a subserviência, desde que isso implique a segurança de ter pão em cima da mesa...Abandonam, por isso, os grandes vôos ,e acorrentam-se voluntariamente na segurança das gaiolas...

PATOS SELVAGENS

PATOS SELVAGENS

“ Era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tudo tão bonito! Mas era uma beleza que doía. O cansaço do bater das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando e as espingardas dos caçadores... Foi então que um dos patos selvagens, olhando lá das alturas para a terra aqui em baixo, viu um bando de patos domésticos. Eram muitos. Estavam tranquilamente deitados à sombra de uma árvore. Não precisavam voar. Não havia caçadores. Não precisavam buscar o que comer: o seu dono lhes dava milho diariamente. E o pato selvagem, invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, baixou seu voo e passou a viver a vida mansa que pediu a Deus. Assim viveu por muitos anos. Até que... Até que, num ano como os outros, chegou de novo o tempo da migração dos patos selvagens. Eles passavam nas alturas, no fundo azul do céu, grasnando, um grupo após outro. Aquelas visões dos patos em voo, as memórias de alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado, o lugar chamado saudade. Uma nostalgia pela vida selvagem, pelas belezas que só se veem nas alturas, pelo fascínio do perigo... Até que não não foi mais possível aguentar a saudade. Resolveu voltar a ser o pato selvagem que fora. Abriu as asas, bateu-as para voar, como outrora... Mas não voou. Caiu. Esborrachou-se no chão. Estava gordo demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, gordo de barriga cheia, protegido pelas cercas e triste por não poder voar..."

Rubem Alves

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Phanton

Photographer: Оксана Арт

Like a phanton, I walk in this earth...
Wandering in search...
Search of, of what??
Don't remember,
Phantons don't have memory...


Dark...

Photographer: Dmitry Ageev

My dark soul waits for the darknest hour...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Choro!

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
as crianças violadas
nos muros da noite
úmidos de carne lívida
...onde as rosas se desgrenham
para os cabelos dos charcos.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
diante desta mulher que ri
com um sol de soluços na boca
— no exílio dos Rumos Decepados.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
este seqüestro de ir buscar cadáveres
ao peso dos poços
— onde já nem sequer há lodo
para as estrelas descerem
arrependidas de céu.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
a coragem do último sorriso
para o rosto bem-amado
naquela Noite dos Muros a erguerem-se nos olhos
com as mãos ainda à procura do eterno
na carne de despir,
suada de ilusão.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica
todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias
todas as prostitutas esbofeteadas pelos esqueleto de repente dos espelhos
todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do
silêncio
todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas
de miséria...

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro...

Mas não por mim, ouviram?
Eu não preciso de lágrimas!
Eu não quero lágrimas!

Levanto-me e proíbo as estrelas de fingir que choram por mim!

Deixem-me para aqui, seco,
senhor de insônias e de cardos,
neste òdio enternecido
de chorar em segredo pelos outros
à espera daquele Dia
em que o meu coração
estoire de amor a Terra
com as lágrimas públicas de pedra incendiada
a correrem-me nas faces
— num arrepio de Primavera
e de Catástrofe!
- José Gomes Ferreira -

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remunerada de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar... Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
-
Artur da Távola -

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Janeiras

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas
Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte
Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra
Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Já nos cansa esta lonjura,

Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura
Vamos cantar as janeiras,

Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas,

Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

This used to be my playground