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Mensagens

A mostrar mensagens de 2013

Being normal is boring...

O tempo sujo

Há dias que eu odeio Como insultos a que não posso responder Sem o perigo duma cruel intimidade Com a mão que lança o pus Que trabalha ao serviço da infecção São dias que nunca deviam ter saído Do mau tempo fixo Que nos desafia da parede Dias que nos insultam que nos lançam As pedras do medo os vidros da mentira As pequenas moedas da humilhação... - Alexandre O'Neill

Calma Azul

Nasci Para Morrer Contigo

Nasci para morrer contigo
a cama que tenho dou-te
meu amante meu amigo
não te vás ficar comigo
esta noite toda a noite

Quero que a pele seja trigo
a ondular ao açoite
dos gemidos que te digo
meu amante meu amigo
nasci p´ra morrer contigo
esta noite toda a noite

A gaivota dos meus braços
foi feita para o teu rio
tuas pernas são meus laços
a tua boca dois traços
na boca que o espelho viu

- António Lobo Antunes -

Fado Adivinha

Quem se dá, quem se recusa
quem procura, quem alcança
quem defende, quem acusa
quem se gasta, quem descansa
quem faz nós, quem os desata

Quem morre, quem ressuscita
quem dá a vida, quem mata
quem duvida e acredita
quem afirma, quem desdiz
quem se arrepende, quem não

Quem é feliz e infeliz
quem é, quem é
coração.

Quem é feliz e infeliz
quem é, quem é
coração. - José Saramago -

Lágrima

Cheia de penas me deito
E com mais penas me levanto
Já me ficou no meu peito
O jeito de te querer tanto Tenho por meu desespero
Dentro de mim o castigo
Eu digo que não te quero
E de noite sonho contigo Se considero que um dia hei-de morrer
No desespero que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile no chão
E deixo-me adormecer Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima tua
Que alegria me deixaria matar - Amália Rodrigues

A Invisibilidade de Deus

dizem que em sua boca se realiza a flor
outros afirmam:
a sua invisibilidade é aparente
mas nunca toquei deus nesta escama de peixe
onde podemos compreender todos os oceanos
nunca tive a visão de sua bondosa mão

o certo
é que por vezes morremos magros até ao osso
sem amparo e sem deus
apenas um rosto muito belo surge etéreo
na vasta insónia que nos isolou do mundo
e sorri
dizendo que nos amou algumas vezes
mas não é o rosto de deus
nem o teu nem aquele outro
que durante anos permaneceu ausente
e o tempo revelou não ser o meu
- Al Berto

Capitlism

Nome de rua

Nome de rua quieta / onde à noite ninguém passa... / Onde o ciúme é uma seta, / onde o amor é uma taça... / Nome
de rua secreta / onde à noite ninguém passa... / Onde a sombra do poeta / de repente nos abraça... / Com um pouco
de amargura, / com muito de Madragoa, / e a ruga de quem procura, / e o riso de quem perdoa, / deste-me um nome
de rua, / de uma rua de Lisboa...
- D. Mourão Ferreira

Fado Quimera

Eu quis um violino no telhado / e uma arara exótica no banho. / Eu quis uma toalha de brocado / e um pavão real do
meu tamanho. / Eu quis todos od cheiros do pecado / e toda a santidade que não tenho. / Eu quis uma pintura aos pés
da cama / infinita de azul e perspectiva. / Eu quis ouvir as Cármina Burana / na hora da orgia prometida. / Eu quis
uma opulência de sultana / e a miséria amarga da mendiga. / Eu quis um viho feito de medronho / de veneno, de
beijos, de suspiros. / Eu quis a morte de viver dum sonho / eu quis a sorte de morrer dum tiro. / Eu quis chorar por ti
durante o sono / eu quis ao acordar fugir conyigo. / Mas tudo o que é excessivo é muito pouco. / Por isso fiquei só,
com o meu corpo.

- Rosa Lobato Faria -

Os Velhos Amantes

Amor que grita, amor que cala / amor que ri, amor que chora / mil vezes eu peguei na mala / mil vezes tu te foste
embora / E tanto barco a ir ao fundo / tornava o mar da nossa casa / em oceano de loucura / quando oscilava o nosso
mundo / eu perdia o golpe de asa / e tu o gosto da aventura / Ai meu amor amargo doce e deslumbrante amor / amor
à chuva, amor em sol maior / amor demais amor eterno / Conheço bem os teus desejos / e tu as minhas fantasias /
morreste em mim todos os beijos / nasci em ti todos os dias / Se muita vez fomos traição / e muita vez mudou o vento
/ e muito gesto foi insulto / em tanta dor de mão-em-mão / nós aprendemos o talento / de envelhecer sem ser adultos
/ Ai meu amor amargo doce e deslumbrante amor / amor à chuva, amor em sol maior / amor demais amor eterno / E
quanto mais o tempo passa / e quanto mais a vida flui / e quanto mais se perde a graça / do que tu foste e da que eu
fui / Mais a ternura nos aperta / mais a palavra fica certa / mais o amor toma lugar / envel…

ANTES CALADOS

ANTES CALADOS

E se os ossos rangessem quando os gritos
Dentro no sangue negro se amordaçam?
E se os olhos uivassem quando a lágrima
Grossa de sal amargo rasga a pele?
E se as unhas mudadas em navalhas
Abrissem dez caminhos de desforra?
E se os versos doessem mastigados
Entre dentes que mordem o vazio?

(Mais perguntas, amor? Antes calados.)

- José Saramago

Turma Aterrorizante

Burton

Learn to love

Fecham-se os dedos donde corre a esperança

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

- José Carlos Ary dos Santos

Truque Tóxico

Volto ao quarto de pensão, fumo até ao vómito isto é : drogo-me.....
....abro a caixa de papelão, aparentemente cheia de sonhos  escolho um, fumo mais erva, nenhum sonho me serve,  abro a caixa dos pesadelos.....  o silencio ocupa-me e da caixa libertam-se corpos  cores violentas, olhares cúbicos, pássaros filiformes  cadeiras agressivas limo as arestas fibrosas dos objectos  arrumo-os pelo quarto, de preferencia nos cantos  dou-lhes novos nomes, novas funções, suspiro extenuado  embora a sonolenta tarefa não tenha sido demorada .... outra caixa, azulada, abro-a  entro nela e fecho-a, o escuro solidifica-se na boca  tenho medo durante a noite alguém se lembrou de atirar fora a caixa......  ....luzes, umbigos obscurecidos pelas etiquetas  dos pequenos produtos de consumo, tóxicos  FRAGIL - MANTER ESTE LADO PARA CIMA  NÃO INCLINAR  TIME TO BUY ANOTHER PACKET  O quarto está completamente mobilado de corpos  explodem caixas, o sangue alastra  estampa-se nas paredes sujas de calendários e …

Sou Eu

Sou Eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
Sou eu aqui em mim, sou eu. 

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. 
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim. 

(…)”

Álvaro de Campos, in “Poemas”

À espera

À espera da dança das horas, à espera do movimento do relógio, à espera...

Olhares intromissivos

Mas (Só gosto de ti)

Chegaste com a luz Que traz a primavera Silhueta que seduz Quando nada se espera.
Entraste no abrigo Onde a vida me guarda Um beijo e um sorriso Tocaste a minha alma A minha alma.
 Mas só gosto de ti Haja o que houver Será sempre assim Venha quem vier.
Tomaste conta de mim E do meu coração Mulher que um dia vi Perdida de paixão.
Sei que por ti esperei Mil anos de vidas Amor que encontrei
Nada é impossível Impossível.
Mas só gosto de ti Haja o que houver Será sempre assim Venha quem vier
Mas (Só gosto de ti) - UHF

A VOLTA AO MUNDO

Nós somos um, nós somos iguais
Em vez de falarmos mandamos postais
Nós somos dois, nós somos pardais
Fomos alvejados por cantar demais 

Tira-me os pregos debaixo dos pés
Vamos caminhar por outras marés

 Eu vou dar a volta ao mundo
Para roubar mais um segundo
Quero beijos seus

Voltarei em boa hora
O regresso não demora
Quero beijos teus

Nós desta vez sabemos que prevês
Casar viver nas torres de um jogo de xadrez
Tira-me os pregos debaixo dos pés
Vamos caminhar por outras marés

Eu vou dar a volta ao mundo
Para roubar mais um segundo
Quero beijos teus

Voltarei em boa hora
O regresso não demora
Quero beijos teus

Ciclo Preparatório e Lena d'Água

Soberania??

Ficámos a saber que Paulo Portas é homem capaz de trair na sexta-feira a consciência pessoal que invocara na terça-feira para tomar a decisão "irrevogável" de sair do Governo. Apreendemos as maravilhas de ser país do Eurogrupo com dívida de 72 mil milhões de euros ao FMI, à Comissão Europeia e ao BCE: só podemos ter um ministro das Finanças se aquela troika gostar, só podemos antecipar eleições se essa troika não se importar, só podemos mudar de governo se a dita troika nada objetar. E sem discussão! Não sabemos, caso tenhamos eleições regulares em 2015, se os resultados terão, também, de ser previamente aprovados. Talvez não. Ensinaram-nos mais: o Presidente da República só dá opinião sobre um novo acordo de coligação governamental depois de o senhor holandês Jeroen Dijsselbloem dizer que está "muito satisfeito" com o resultado e de o senhor alemão Wolfgang Schäuble ratificar "o bom caminho" retomado... Nem a Madeira nem os Açores, alguma vez, se sujeita…

A republica das bananas

Para não destoar de um dia surreal, quando cheguei ao Palácio de Belém e me indicaram a entrada pelo Museu da Presidência, ninguém me perguntou nada ou pediu identificação. Achei estranho, mas, francamente, o que é que é estranho num dia assim? Lá me passaram o saco naquela coisa para ver das bombas e mandaram-me "subir a rampinha". Quando lá cheguei acima, à sala de chão preto e branco que conhecemos das TV e onde as câmaras e jornalistas se acumulam, uma senhora sorridente perguntou-me: "É familiar?" Confusa, respondi: "Não, sou jornalista." A senhora pareceu igualmente confusa, dando lugar a um segurança que me exigiu a identificação e me informou de que teria de "ir lá abaixo"(à entrada do palácio) "acreditar-me". Ou seja: se tivesse respondido "sim" à senhora, poderia entrar e assistir, tirar notas se me apetecesse e até talvez fotografar com o telefone; sendo jornalista, tinha de voltar atrás e de caminho perder a cerim…

Death

As linhas de uma vida

Não vês que estou aqui?

O silêncio dos inocentes

Walking in sunset

Doze Moradas do Silêncio

Doze Moradas do Silêncio

Envolver-me na mais obscura solidão das searas e gemer
Amassar com os dentes uma morte íntima
Durante a sonolência balbuciante das papoulas

Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão para que os corpos tenham tempo de amadurecer ...
colher em tuas coxas o sumo espesso e no calor molhado da noite seduzir as luas o riso dos jovens pastores desprevenidos...
as bocas do gado triturando o restolho....
as correrias inesperadas das aves rasteiras ....
e crescerei das fecundas terras ou da morte que sufoca o cio da boca..... .
subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente trasmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes.

 - AL BERTO

Fala-me do amor

fala-me tu do Amor e dessa coisa esquisita que é o tempo com quatro dedos de distância entre o ardor das línguas e a asfixia dos corpos.

fala-me tu do Amor e desse desejo que arrasta a proximidade que anula todos os intervalos em pequenas existências que de tão insignificantes desaparecem numa doçura e amargura.

conta-me do constante faz e refaz, de ressuscitar e morrer, de adormecer e sonhar, do conforto da luz dos dias na realidade que nos mata. porque do Amor também se morre e também se vive, como alimentação programada às calorias necessárias para respondermos.

- Al Berto

Aspirando pela liberdade

Psicho

Follow your heart

Um Homem na Cidade

"Agarro a madrugada como se fosse uma criança uma roseira entrelaçada uma videira de esperança tal qual o corpo da cidade que manhã cedo ensaia a dança de quem por força da vontade de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua que no meu Tejo acende o cio vou por Lisboa maré nua que se deságua no Rossio.
Eu sou um homem na cidade que manhã cedo acorda e canta e por amar a liberdade com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada da lua cheia de Lisboa até que a lua apaixonada cresça na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota todo o mau tempo no mar alto eu sou o homem que transporta a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada colho a manhã como uma flor à beira mágoa desfolhada um malmequer azul na cor.
O malmequer da liberdade que bem me quer como ninguém o malmequer desta cidade que me quer bem que me quer bem!
Nas minhas mãos a madrugada abriu a flor de Abril também a flor sem medo perfumada com o aroma que o mar …

We missed each other...

de profundis amamus

Ontem às onze fumaste um cigarro encontrei-te sentado ficámos para perder todos os teus eléctricos os meus estavam perdidos por natureza própria. Andámos dez quilómetros a pé ninguém nos viu passar excepto claro os porteiros é da natureza das coisas ser-se visto pelos porteiros.
 - Mário Cesariny

I love you...

"I love that you get cold when it’s 71 degrees out. I love that it takes you an hour and a half to order a sandwich. I love that you get a little crinkle above your nose when you’re looking at me like I’m nuts. I love that after I spend the day with you, I can still smell your perfume on my clothes. And I love that you are the last person I want to talk to before I go to sleep at night. And it’s not because I’m lonely, and it’s not because it’s New Year’s Eve. I came here tonight because when you realize you want to spend the rest of your life with somebody, you want the rest of your life to start as soon as possible."

- From the movie "When Harry met Sally"

Iron Lady

13 October 1925 – 8 April 2013

Pássaro Azul

Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém ver-te. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu despejo whisky para cima dele e inalo fumo de cigarros e as putas e os empregados de bar e os funcionários da mercearia nunca saberão que ele se encontra lá dentro. há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica escondido, queres arruinar-me? queres foder-me o meu trabalho? queres arruinar as minhas vendas de livros na Europa? há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado esperto, só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir. digo-lhe, eu sei que estás aí, por isso não estejas triste. depois, coloco-o de volta, mas ele canta um pouco lá dentro, não o deixei morrer de todo e dormimos juntos assim com o nosso pacto secreto e é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e tu?-Charles Buko…

Mais além

Runaway

Love/Miss

Bad girl

You're not here

Skulls

And suddenly...