quinta-feira, 6 de junho de 2013

Doze Moradas do Silêncio

Doze Moradas do Silêncio

Envolver-me na mais obscura solidão das searas e gemer
Amassar com os dentes uma morte íntima
Durante a sonolência balbuciante das papoulas

Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão para que os corpos tenham tempo de amadurecer ...
colher em tuas coxas o sumo espesso e no calor molhado da noite seduzir as luas o riso dos jovens pastores desprevenidos...
as bocas do gado triturando o restolho....
as correrias inesperadas das aves rasteiras ....
e crescerei das fecundas terras ou da morte que sufoca o cio da boca..... .
subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente trasmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes.

 - AL BERTO

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