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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2016

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"Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor."
Como a história de amor do sr. Zé e do Tobias. O sr. Zé tinha setenta e poucos anos, e resmungava por tudo e por nada, sendo esta a sua característica mais marcante. Sempre às avessas com a vida, nunca se lhe ouvindo um obrigado, uma palavra agradável ou um mero sorriso. Comprava diariamente o jornal, indo sentar-se no jardim a ler as últimas noticias, e foi neste local  que decorreu o encontro entre o sr. Zé e o Tobias. Um belo dia estando a ler o jornal, o velho sentiu algo a roçar nas pernas. Baixando os olhos deu de caras com um gatito, negro como a noite, enfezado e sujo, a emitir leves miados. O sr. Zé afastou com a perna o bichano, mas este teimava em roçar-se nele; depois de algumas tentativas infrutíferas para afastar o animal, o idoso levantou-se incomodado, repetindo-se este episódio nos três dias seguintes. Nessa noite, o termómetro desceu, com a…

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"A casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo."
O mundo intoxicante e asfixiante, onde perco os sentidos, o cheiro a bolor a penetrar nas minhas narinas, fazendo confundir norte e sul, este e oeste. Fujo, cambaleando, deste cheiro que teima em se impregnar nas minhas roupas, essa presença ubíqua a estalar na minha cabeça, fechando as suas garras sobre o meu pescoço dificultando a passagem de ar; o sangue a latejar cada vez mais forte na minha cabeça. Grito! Corro desvairada pelo solo pejado de enxofre e de corpos caídos em guerras perpétuas e mesquinhas. Fujo para a segurança insegura da minha casa, essa casa tão velha e decadente como eu, onde ainda ontem arranjei o soalho e hoje mais uma janela que cai. Caio sobre a poltrona, cansada e desanimada, com o peso do mundo sobre o meu esqueleto caquético. Sinto os sentidos abandonarem-me, o corpo a desistir de perceber esse mundo cão. Estou quase a adormecer…
Amanhã arranjo a …

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Um avô escreve um texto ao seu neto, acabado de nascer:
Querido neto: Fodi a tua mãe! Eis a minha infâmia nua e crua… Fodi a tua mãe, Esfaqueei-lhe os sonhos e a vontade... Fodi a tua mãe, Quis que ela somente respirasse nada mais do que a mediocridade, Que ela vivesse apenas a passagem interminável dos dias monotonamente iguais. Fodi a tua mãe, Reduzi-a a material de limpeza, A ser companhia da pá, da vassoura e da esfregona E mesmo estes objetos sentimos-lhes a ausência quando nos faltam. A tua mãe tornou-se meramente a mulher a dias. Desgrenhada, invisível, a valer tanto como um grão de pó, E mesmo assim eu fodi-a, Prendendo-a aos grilhões da servidão humana. Espero que me perdoes por ser nada mais do que um velho tonto, Por ser cobarde, Por negar a liberdade a uma ave. Egoísta, quis tê-la só para mim, Não a quis partilhar om o mundo, Mas o mundo encarregou-se de a roubar de mim. Fodi a tua mãe… Reduzi-a a nada, E mesmo assim ela deu-me tudo. Deu-me o mundo, deu-me a ti.