domingo, 17 de dezembro de 2006

Feliz Natal!!

Para combater a visão consumista do Natal, fica aqui o relato dos Natais da minha infância:

Tudo começava umas semanas antes do Natal, com a busca de um pinheirito e musgo no pinhal mais próximo. Depois era a azáfama de montar a árvore com montes de fitas e luzinhas, e armar o presépio com as suas dezenas de figurinhas. Até tinha direito a castelo com soldados e lago.
No dia 24 à tarde faziamos as filhoses, cuja tijela já ia com umas ditas cujas a menos, por umas mãozitas terem andado a surripirá-las. Mais para a noite era o corropio de pôr a mesa, com a respectiva toalha natalícia, mais os doces, mais as comidinhas, e mais as garrafas de vinho do Porto. Depois íamos para a Missa do Galo (isto ainda era no tempo em que eu era uma "boa menina")...adorava esta missa; pelo facto de ser à noite, e as velas ficarem mais brilhantes e pelos cânticos de Natal. Depois chegávamos a casa, e eu e os meus primos (9 miudos ao todo) punhamos o sapatinho na chaminé, à espera da tão almejada prenda.
Às 6h da manhã do dia 25, a minha avó acordava toda a gente ao som duma sineta, e com os gritos de "É Natal, é Natal! Boas Festas!" E lá corríamos todos em direcção à chaminé, a ver o que o Pai Natal tinha trazido. E que bagunça aquela...só papéis e fitas por todo o lado.
Ricos tempos, vividos com uma inocência, que ainda tento conservar hoje em dia.

Aproveito para dizer que só regresso dia 2 de Janeiro, desejando um Feliz Natal e um Bom Ano Novo a todos os que por aqui passarem!!
Beijoquinhas e um abraço!!

domingo, 10 de dezembro de 2006

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

1Dec - Dia da Luta contra a SIDA


Chamem-lhe teoria da conspiração, mas a mim ninguém me tira da cabeça que este foi um vírus fabricado em laboratório, e um dos grandes interessados a Igreja Católica. Afinal os anos 60 e a sua libertação sexual, tinham acontecido à pouco, e tínhamos acabado de sair dos loucos anos 70 com o LSD, o disco, a "promiscuidade", os homossexuais. Era necessário tornar a disciplinar a sociedade, tornar a incutir-lhe o medo do bicho papão e o repúdio pelo sexo.

Demorou 500 anos para que o Papa pedisse perdão pela Inquisição. Talvez daqui a 500 anos peçam perdão pelas vidas ceifadas graças à sua filosofia contra o uso do preservativo.

domingo, 19 de novembro de 2006

Deixa-me ir...

Ela tinha vivido os últimos meses no fio da agulha, dia após dia, dependente daquela substância milagrosa, qua afastava aquelas picadas alucinantes de dor e dava-lhe forças para aguentar mais um dia. Encontrava-se agora no limite das suas forças, depois da noite horrível que passou e que ela sabia ser a última. Ela olhou para o lado e os seus olhos encontraram-se com o do marido, junto à cabeceira daquela cama de hospital.

Ele também tinha passado por muito nestes últimos tempos, dando-lhe esperança e forças para combater aquele mal que se tinha apoderado dela, e que lhe corroia o corpo e os sentidos, acompanhando-a durante todo aquele caminho doloroso, gastando as precárias poupanças da família para lhe proporcionar mais um dia de vida.
Vida...Que vida? Se àquilo poderia-se chamar vida...Até já sentia o cheiro da sua carne em decomposição...Meu Deus, ao ponto que pode chegar a degradação humana...

Ele, que nem sequer acreditava na existência de Deus, e que agora pedia para ter mais 1 dia para poder abraçá-la...um sentimento egoísta, ele sabia-o. Sentiu as lágrimas a teimarem em aparecer, fazendo um esforço para contê-las. Ela não devia vê-lo chorar.

"Tens de me deixar ir. Tens de me libertar...", ouviu ela a sussurar por entre os gorgolelos de sangue que já lhe atacavam a garganta. Ele sabia que era verdade...deixou as lágrimas correrem livremente. "Descansa em paz minha querida, obrigada pela felicidade que me proporcionaste. Amo-te muito". E apesar do mar de dores em que ela se encontrava, ela sorriu e soltou um último suspiro.

Ele ficou a olhar aquele corpo mirrado, magro, miserável e quase irreconhecível. A batalha tinha sido ganha pelo cancro...

© MAC -

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Sugestões

Enquanto aguardo inspiração para um novo post, ficam aqui algumas sugestões:

Jacinta - 24Nov no CCB e 2Dez no CineBatalha (Porto)
Apresentação do segundo disco, gravado em Nova Iorque com grandes nomes do jazz americano, entre os quais Greg Osby, que também assina a produção do álbum. O espectáculo Day Dream insere-se no âmbito de uma grande digressão nacional. Duke Ellington, Thelonious Monk, Cole Porter são autores que Jacinta interpreta e, pela primeira vez, temas em Português – de José Afonso, Tom Jobim e Djavan, foram os escolhidos.

The Gift - 2Dez Fnac NorteShopping e 9Dez CCB
Apresentação do novo trabalho "Fácil de Entender".

Serralves - ANOS 80: UMA TOPOLOGIA: 11 Nov 2006 - 25 Mar 2007

Revisitar os anos 80. Reconsiderar os anos 80 pode servir como ferramenta para destacar e reflectir sobre alguma da arte do presente. Esta será uma exposição de grandes dimensões que utilizará todos os espaços do Museu, reunindo pela primeira vez em Portugal um conjunto muito significativo de obras fundamentais de uma década que também enquadrou a abertura internacional da arte portuguesa, se bem que essas mesmas obras só agora sejam vistas pela primeira vez no país.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Afinal...


Acordei com o teu nome a arranhar-me a garganta;
Queria dizê-lo em voz alta e não consegui.
Pensava que era a tua lembrança que não o deixava fazer.
Afinal...
Estava afónica.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Tentativa de acabar com a mama...



Clientes podem exigir à banca devolução dos arredondamentos
Regras para cálculo da taxa do crédito à habitação foram fixadas pelo Governo e têm carácter retroactivo.

http://dn.sapo.pt/2006/11/03/economia/todos_poder_reclamar_arredondamento_.html

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Porque hoje é Halloween


CÃO DA MORTE[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Quentes e boas!


Quentes e boas! Quentes e boas!
Andar na rua e sentir aquele cheirinho de castanhas no ar...
É uma dúzia se faz favor...
O embrulho é um jornal. Nada de fitas ou papéis coloridos. Um simples jornal.
E depois sentir aquele quentinho nas mãos.
Afastamo-nos, mais bem dispostos, dando lugar a outros fregueses,
E o vendedor, com a cara marcada pelo tempo, continua com o seu pregão:
Quentes e boas! Quentes e boas!

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

O estado da Cultura

A cultura já há algum tempo que está rendida ao tachismo: no Porto e Lisboa existe uma agenda cultural, no entanto há muitos eventos que lá não figuram, e quando se lembram de pôr algum cartaz, é sempre à ultima da hora. Ou seja já não há bilhetes.
Já para falar daqueles espectáculos que dizem que estão esgotados, mas depois há dezenas de cadeiras vazias. Ou seja, seria para os amiguinhos e para os compadres.
E há também aquela velha guerrinha Porto/Lisboa: os melhores eventos vão todos para Lisboa e estão em cartaz 1/2 semanas, no Porto apenas 1/2 dias. O povinho lá diz "é sempre a mesma coisa, vai sempre tudo para Lisboa", mas a verdade é a culpa é de quem está a dirigir as casas de espectáculos, e no Porto, por razões que desconheço, quem está à frente das casas de espectáculos, opta por ficar com os restos e ainda por cima por poucos dias.
E este discurso todo devido à polémica com o Rivoli. Concorde-se ao não com a sua ocupação, é curioso ver que as pessoas que há uns anos atrás aplaudiram o Pedro Abrunhosa, quando este se acorrentou ao Coliseu, se calhar são as mesmas que agora chamam aos ocupantes do Rivoli "cambada de chupistas" ou "susidio-dependentes".
Pena é que o Pedrito já não precise dos holofotes dos media e de conquistar notoriedade...
Em vez de se estar a discutir quem tem ou não razão, deveria-se fazer um sério debate sobre a Cultura. Deveria servir para algo mais do que alguém aquecer a cadeira de ministro. ´

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Vindimas


O camião com os trabalhadores chegava por volta das 7h00. No chão já estavam dispostos os cestos, e procuravam-se agora as tesouras e as sogras (pedaço de tecido que as mulheres põem à cabeça na altura de irem despejar o cesto). Começam então a dirigirem-se aos pares para as fileiras de uvas que os aguardam, debaixo de parras que começam a pintar-se de laranja. O sol esconde-se por detrás do monte, e o ar cheira a vindimas.
Mãos então ao trabalho! Só se ouve o barulho, quase sincronizado das tesouras, e a jornada até às tinas para despejar o cesto, depressa começa. O caseiro também começa a sua ronda por entre as várias fileiras, para ver se foram deixados cachos de uva para trás, resmungando, como todos os anos faz, que o melhor seria contratar uma galinha para comer todos aqueles bagos desperdiçados, arrancando gargalhadas aos trabalhadores, já habituados aos seus ditos.
Vem a hora do mata bicho(lanche da manhã). Na fogueira assam-se chouriços ou farinheiras, o seu cheiro invade o ar, abrindo o apetite.
Vamos trabalhar mais um bocado! Agora é um instante até ao almoço...Alguns cantos e anedotas invadem o ar, que com a barriguinha aconchegada trabalha-se melhor. Vem o almoço, já com a habitual fogueira, assando-se então umas febras ou entrecosto, sempre acompanhado do suco divino fabricado por Baco. Vêm então as brincadeiras, as conversas ou uma soneca, até serem de novo horas para trabalhar.
Durante a tarde as horas voaram; esta vindima está a correr muito bem, se calhar amanhã pudemos ir para outro terreno, o patrão vai ficar contente.
Já se faz contas de cabeça ao dinheiro daquele dia, no dia da adiafa (fim da vindima) vai saber bem receber um bom dinheirito para compor as finanças.
No fim do dia de trabalho, o pessoal sobe mais uma vez para o camião. Lá vamos de regresso a casa. Amanhã há mais.

PS: Isto retrata uma vindima na Estremadura


segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Sugestões

Estive de férias uma semanita, e tenho de dizer que senti muito a falta desta coisa da blogosfera e de visitar os suspeitos do costume. Já estou viciada nesta coisa...
Estive em Lisboa e pus os programas culturais em dia. Deixo aqui algumas sugestões:

"A Senhora das Águas" - M.Night Shyamalan

Lá aparecem criaturas estranhas, como é típico nos filmes de Shyamalan, assim como heróis improváveis. Mas é um fime espectacular, e como é costume, é preciso ver 2 ou 3 vezes para se apreeender o significado do filme. A não perder.





"World Press Photo" - CCB

Até 22 de Outubro. Fotos de todo o mundo, a ilustrar as fomes, guerras e desgraças do planeta. Acho que muitas vezes a olhar para estas fotos, não nos lembramos do desespero que está por trás delas. No mundo multimédia em que vivemos, acho que as imagens que povoam o nosso mundo, tornam-nos insensíveis.



"Cats" - Coliseu dos Recreios

Até 22 de Outubro. Não há nada a dizer deste musical aclamado em todo o mundo. Um verdadeiro espectáculo, a merecer ser visto nem que seja uma vez na vida. Reparo para o Coliseu: fiquei muito contente por ver que o nosso do Porto é muito melhor que o de Lisboa. Maior, com uma melhor visibilidade para o palco e mais espaço entre as cadeiras para o pessoal passar. Quem já foi ao de Lisboa, sabe que se tem de ser um verdadeiro equilibrista, para puder passar entre as cadeiras.

Enquanto Salazar Dormia - Domingos Amaral

O meu livro durante as férias. Passado em Lisboa durante a 2ªGuerra Mundial, retrata o mundo da espionagem lisboeta. Cheio de acção, romance e emoção. Engraçado que não há muitos livros sobre esta temática, e pelos vistos, Portugal teve um importante papel no mundo da espionagem e contra espionagem. Será que temos assim tantos esqueletos no armário

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Red Bull

No outro dia estava eu a ler um panfleto do Red Bull, e eis que me deparo com uma frase que me fez "saltar a tampa".
O panfleto estava a falar duma nova geração de pessoas activas e ambiciosas e com uma reserva de energia ilimitada. E eis que surge a frase:
"Desde O ciclista que teima em alcançar o cume da montanha, O motorista que conduz toda a noite sem piscar os olhos, O gestor que desenvolve uma estratégia brilhante numa noitada, acabando na mãe de família que tem energia para trabalhar fora todo o dia e ainda cuidar da casa."
Digam-me como é que em pleno séc XXI esta frase, e este sexismo, continua a ser possível!!

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Liberdade

"Apenas aqueles que são livres, podem lutar pela liberdade".

O sangue derramado por aqueles que lutaram pela liberdade de expressão, cai agora na sarjeta. Séculos de luta e teimam em nos amordaçar, o discurso do politicamente correcto, para não ofender outras consciências, sobrepõe-se a um dos pilares da nossa sociedade...
E que doce palavra essa...Liberdade...
Parece que todos esqueceram o seu significado, e o que custou obtê-la.


sábado, 16 de setembro de 2006

Modernices

Às vezes só me apetece partir o computador. Andei estes últimos dias a tentar colar legendas a 1 filme que saquei da net, e aquilo é que foi um filme...Os tutoriais de pouco serviam, uns diziam uma coisa, outros outra, cada um mais complicado do que o outro. Até que consegui, após 2 dias de volta da máquina.
Já para não falar das vezes em que procuro algo no Google, e dá-me tantas ocorrências que nem sei por onde começar.
E quando criei o blog, para pôr música, foi outro trinta e um. Estive para aí uma semana de volta desta coisa infernal, até que a minha amiga Gala me disse como se fazia.
Ainda bem que não tenho um martelo ao pé do computador....
E já agora, será que me podem dizer para que servem aquelas letrinhas em alguns blogs, quando se faz um comentário, e que se tem de transcrever?

domingo, 10 de setembro de 2006

Cry America


Os teus traumas são os traumas do mundo - Vietname, 11 de Setembro.
Avé terra da globalização!! Os que morrem debaixo dos teus escombros te saúdam!
Morrem incógnitos, anónimos, em desespero, na solidão do teu betão.
Morrem por uma causa inútil...
Chora agora sobre as tuas cinzas, sobre os teus cadáveres sem nome espalhados no solo.
As tuas lágrimas correm pelas ruas, mas não lavam o teu sofrimento, a tua vergonha.
Fica o silêncio, opressor, tudo em volta dominado por ele, quase se pode tocar...
Dizem que neste sítio nunca nada irá voltar a crescer...
É uma terra estéril, marcada para morrer.


quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Festa Medieval



Para quem estiver perto de Matosinhos e ainda não tiver planos para o fim de semana, esta é uma boa ideia. Vai haver uma recriação histórica do casamento entre D.Fernando e D. Leonor, visitas guiadas ao mosteiro, ceia medieval e concertos. Para verem o programa completo ir a:

http://cmmatosinhos.wiremaze.com/document/816725/861028.pdf

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Etiquetagem

Fui etiquetada pela Ceci, e pelos vistos tenho de dar 6 informações aleatórias sobre a minha pessoa. Vamos lá tentar:
1) Sou natural do Bombarral, mas apaixonei-me pelo Porto. Vivo cá há 11 anos.
2) Tenho uma cadela (a que aparece na foto do perfil). O seu nome é Borba.
3) Gosto de jantaradas e de conviver com o pessoal.
4) Adoro motos e já tive uma (a Virago 550).
5) A minha paisagem favorita tem de meter calhaus. Talvez por isso adore Trás os Montes (o Paulo Santos vai-me matar).
6) Fartei-me de praia. Prefiro ir para o rio, mas adoro ver o mar.

Próximas vítimas (sorry se já foram etiquetados):

Paulo Santos
Rafaela
Gala
Tiago
Spacegoat

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Deus é a nossa mulher a dias

Queixas de um utente
Pago os meus impostos, separo o lixo,
já não vejo televisão há cinco meses, todos os dias rezo
pelo menos duas horas com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes públicos,
raramente me esqueço de deixar água fresca no prato do gato,
tento ser correcto com os meus vizinhos e não cuspo na sombra dos outros
Já não me lembro se o médico me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas ser feliz.
Seja como for,não estou a ver resultado nenhum

Deus é a nossa mulher a dias
Deus é a nossamulher-a-dias
que nos dá prendas que deitamos fora como a vida porque achamos que não presta
Deus é a nossa mulher-a-dias que nos dá prendas que deitamos fora como a fé
porque achamos que é pirosa

A NAIFA - CANÇÕES SUBTERRÂNEAS "Queixas de um utente / Deus é a nossa mulher a dias"

sábado, 26 de agosto de 2006

Fragilidades

Ele procurou as chaves no bolso e abriu porta devagar, fechando a porta atrás de si com um suspiro. Aquela casa, agora que ela se tinha ido embora, parecia-lhe enorme, vazia. Dirigiu-se à cozinha, tirando uma cerveja do frigorífico, ritual que se tinha instalado na sua recente vida de solteiro forçado, e instalou-se no sofá a sorver o fumo de um cigarro.
Se calhar devia mudar de casa, mas aquela trazia-lhe tantas recordações...ali o quarto, cúmplice de conversas sobre a vida, de carícias trocadas entre dois corpos que se amavam e de tantas noites sem dormir; além a casa de banho, onde ainda se sentia o perfume que ela usava, aquele perfume suave mas inebriante, que fazia estremecer o seu ser; aqui a sala, onde as linhas dos livros tinham ganho vida sob as suas mãos. Como ele tinha saudades daquelas mãos, finas, de dedos longos, que deslizam pelas folhas dos livros como quem faz uma carícia...
Ele ainda não acreditava que aquilo lhe tinha acontecido... Foi há 2 semanas: entrou em casa como de costume, e à entrada estavam umas malas. Ela estava na sala à sua espera, e disse-lhe apenas "Olha, a chama do nosso amor apagou-se, já não dá mais. Foi bom enquanto durou, mas vou-me embora". Ele ainda tentou que ela lhe dissesse algo em concreto, se era um amante, o que se passava, mas o problema não era alguma infidelidade, tinha sido apenas um ciclo que chegava ao fim. As coisas acabaram assim, sem gritos, sem escândalos, apenas um fechar suave da porta, e ele catatónico, ali plantado na sala. Não conseguia perceber...Caramba, sempre foram 5 anos de vida em comum, e acabava assim, sem mais. A vida em si já é uma coisa bastante frágil, podemos ir desta para melhor a qualquer momento, mas as relações ainda mais frágeis são, pensou ele, desenhando espirais de fumo no ar. Pensamos nós que estamos a construir algo sólido, sobrevivemos a tempestades, planeamos sonhos, e no final de contas, vem um pouco de vento pela janela e apaga a chama desse amor. Acaba com um simples "já não dá mais". Se calhar devia ter lutado mais por esse amor, pensou ele...mas se calhar era como o Rui Veloso dizia "A minha paixão por ti era um lume, que não tinha mais lenha por onde arder".
Decididamente, tenho de mudar de casa, pensou ele, levantando-se para ir buscar mais uma cerveja ao frigorífico.



terça-feira, 22 de agosto de 2006

Mais uma volta, mais uma viagem

Estive uma semanita de férias, a tempo de apanhar as festas da cidade. Engraçado como é que de Norte a Sul do país, seja qual for a terreola, o ambiente das festas é sempre igual, até as pessoas que as frequentam parecem iguais. Lá estavam as luzes, apenas meia dúzia, para o povo não poder dizer que o dinheiro público está a ser mal empregue, se bem que nesta história das festas, seja apropriado o comentário de Maria Antonieta: "atirem-lhes bolos". O povão distrai-se com qualquer coisa. Adiante...
Lá estavam as bancas dos ciganos, com os seus altifalantes e um rancho de filhos atrás, que isto à dúzia é mais barato, seja os filhos seja os trapos que vendem; lá estavam as bancas dos indianos, com as suas túnicas e bugigangas coloridas; lá estava o camião das maravilhas: "por 30 € leva 2 cobertores e 2 jogos de banho, e só por mais 5 € leva ainda estes lençóis e uma dúzia de panos de cozinha", camião este que já se encontra em vias de extinção. É que é preciso arte para a coisa, não basta estar ali de corpo presente. Depois lá vêm os inevitáveis comes, bebes e sobremesas: a bifana, o franguito - tudo assado num recinto de terra batida, deve ser para dar mais condimento - a cerveja, as farturas embebidas em óleo, as pipocas, o algodão doce. Depois se for uma terra sem grandes atrativos, como era o caso desta, ainda temos várias representações dos diferentes estaminés da cidade, tudo para gerar o sentimento de que vale a pena lá viver, e que a terra nem é tão atrasada como isso.
Depois é claro que temos os carrosséis, iguais em todo o lado, cada um com a sua música, com as meninas mais impressionáveis a berrarem, e os rapazes com uma cara que diz "isto não foi nada...", e o pregão mais que gasto "quero ver esses bracinhos no ar", incentivo que eu já ouço desde que era catraia.
Isto das feiras fez-me pensar 2 coisas, completamente antagónicas: 1º) Que isto de ser feirante, com a casa às costas, a arrumar e desarrumar bancadas todos os dias, e noites mal dormidas, é uma vida de cão. A 2º coisa é que tendo em conta o espaço que os carrosséis ocupam, tendo em conta o balúrdio que se costuma pedir por cada pedaço de metro quadrado ocupado, e tendo em conta que cada vez à menos pessoas a irem para os carrosséis (ainda me lembro que se faziam filas para alguns divertimentos, era uma correria qaundo se via um lugar vago), estando alguns praticamente às moscas, como é que os feirantes têm dinheiro para pagar o espaço ocupado, a luz que se gasta (e deve ser uma conta astronómica) e ainda para sobreviverem o resto do ano? Uma boa pergunta não é? E com isto na cabeça, virei as costas à festa, deixando o seu barulho cada vez mais para trás, ouvindo ainda à distância, uma mulher anunciar ao altifalante: "Mais uma volta, mais uma viagem"...

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

O último dia da vida de Ysmael



Ontem o Ysmael foi ao mercado arranjar algo para dar de comer aos seus 4 irmãos e à sua mãe, agarrada à cama desde o último bombardeamento. O pai já há muito que desapareceu; encontra-se na glória de Alá acompanhado pelas virgens que tem direito. Teve uma morte gloriosa: arrebentou um restaurante e matou toda a gente que lá se encontrava. Ysmael deu graças por ter tido um pai tão corajoso...
As habitações que ladeavam o caminho entre o mercado e a casa de Ysmael estavam todas destruídas pelos bombardeamentos, as paredes crivadas de balas, no chão fotografias de quem lá tinham habitado, algumas das quais pertenciam a companheiros de Ysmael, simples miudos de cara redonda e olhos grandes, cujos corpos estavam agora abandonados à sua triste sorte e às moscas...Ysmael pensou que pelo menos agora não podia ir à escola. As aulas tinham sido interrompidas com o começo dos bombardeamentos, e logo na véspera dele apresentar um trabalho que não tinha preparado. Ysmael deu graças pela sua sorte...
Quase a chegar ao mercado, encontra-se o palácio presidencial. Lá dentro os senhores da guerra dispunham as suas peças no tabuleiro de xadrez, escolhiam qual a melhor estratégia, levavam a cabo as suas guerrinhas, sem terem a mínima preocupação com as condições de vida das suas populações ou das suas vitimas. Nos dois lados as casas estavam destruídas, nos dois lados não havia água nem luz, nos dois lados a comida escasseava e os cuidados de saúde não existiam. Nos dois lados, inocentes jaziam no chão, em putrefação, enganados pelos discursos do "bem contra o mal" e pelas promessas de sentar-se no trono da Glória. Cá fora, Ysmael dava graças pela clarividência dos seus líderes e pela sua coragem...
Chegado ao mercado, Ysmael conseguiu arranjar alguns restos de comida. Estava ainda a regatear o preço quando se ouviu um silvo agudo, depois um estrondo, seguido dos gritos alucinantes das pessoas. De seguida o silêncio...
Uma bomba tinha atingido o mercado municipal, não tendo havido sobreviventes...Ysmael, segundos antes de a luz o abandonar, deu graças...afinal ia ser a notícia de abertura dos telejormais de todo o mundo...


domingo, 6 de agosto de 2006

A floresta que se lixe...



500 bombeiros e a ajuda do avião russo Beriev não chegaram para travar as chamas em Paredes. Onde estão os meios que durante semanas foram publicitados e encheram as manchetes dos jornais? Onde estão os aviões? Onde está o kit individual de combate ao fogo, que ainda à poucas semanas numa cerimónia de pompa e circunstância, foi anunciados? Quando esta publicidade foi feita, confesso que cheguei a acreditar que talvez este ano fosse diferente, que a nossa floresta fosse um pouco poupada ao flagelo dos incêndios. Esqueci-me que estava em Portugal...é feita a publicidade para distrair o pessoal, alguém arrecada dinheiro ao bolso com os contratos chorudos que são feitos, e a floresta que se lixe...

domingo, 30 de julho de 2006

Noite

A noite, essa tua cúmplice de loucuras e de amores
Essa tua companheira de fugas e correrias pelas vielas.
Tu entras na noite, e deixas que ela te envolva com o seu negro xaile,
Tenho ciúmes desse abraço tão denso e suave...

Abres-lhe a alma e contas-lhe os teus segredos
Segredos tão negros como essa noite escura,
Sussurras à lua cheia palavras proibidas
Permitidas e encobertas pelo negrume nocturno.

Na minha cama estendo a mão para te alcançar,
Encontro os lençois gélidos e o nada
Estás com a tua dama escura e fria
Perdido nesse abraço tão denso e suave...



quarta-feira, 26 de julho de 2006

O Pirata do Brasil

Scolari vai ganhar cerca de 250 mil euros por mês durante os próximos 2 anos à frente da selecção nacional, o que dá uma módica quantia de 3 milhões ao fim de 1 ano. Ao fim dos 2 anos ganhará 6 milhões. Continuem a idolatrá-lo, que ele continuará a rir-se na vossa cara, a gozar com a ingenuidade do povo português. Continuem a responder aos apelos do sr. Scolari de pôr uma bandeira em cada janela, que ele continuará a aproveitar isso para fazer publicidade. Aliás o dinheiro que tem arrecadado graças à publicidade que tem feito, do grande espírito patriótico dos portugueses, é de bradar aos céus. É um pirata da pior espécie, mas enquanto o povo considerá-lo um bom pirata... Deve ser o capitão Jack Sparrow cá do sítio...

segunda-feira, 24 de julho de 2006

quinta-feira, 20 de julho de 2006

O País Ideal de Salazar

A propósito do post do Paulo ( http://www.interiornorte.blogspot.com/) sobre os Morangos com Açucar: não é apenas esta série que nos apresenta uma realidade açucarada e anestesia os nossos sentidos e a nossa mente. Também temos o Big Brother, Quinta das Celebridades, 1ªCompanhia... tudo séries produzidas pela TVI. Coincidência?
Esta estação está vocacionada para uma cultura popularuja e brejeira (até o Telejornal deles é reflexo disso), apelando aos mais básicos instintos da populaça, servindo-se sem escrúpulos da desgraça alheia e da sede de voyeurismo. Consequências? Aquando da morte de um actores da série Morangos, quase faltou haver um dia de luto nacional, e era vê-los elevar o miúdo quase ao estatuto de santo, quando se deveria ter aproveitado essa morte para falar aos jovens do perigo de se conduzir embriagado.
No tempo de Salazar, foi instituída a cultura dos 3 F's: Fátima, Fado e Futebol, para que o pessoal estivesse distraído, e não reparasse no que ele estava a fazer; hoje em dia, este seria um país ideal para o Salazar governar. Não é preciso instituir nada; o povo abraçou esses valores de livre vontade, e alheia-se de uma forma que nem sequer sabem o que se passa à sua volta.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Elogio ao Inverno

Diana Krall - I Don't Know Enough About You


Ontem estava a descansar para recuperar forças para um novo dia, quando fui acordada pelo som da chuva a cair e dos trovões a estalarem nos céus. Tive saudades dos primeiros dias de Inverno, depois da chuva ter caído e a paisagem ter ficado mais límpida...de caminhar, e sentir aquele cheiro delicioso a terra molhada...daquele vento fresco na cara, que me faz sentir viva e amar a natureza, e sentir-me una com ela...depois ir beber um chá quentinho ao som duma boa música jazz, num sítio aconchegante, e ver lá fora os elementos da natureza a tomarem conta da cidade.
Quando voltas Inverno?

segunda-feira, 17 de julho de 2006


Vou até à praia e vejo o pôr do sol...penso em ti, e desejo que estivesses aqui, que me envolvesses nos teus braços, que juntos voássemos como gaivotas sobre os nossos sonhos, que não houvesse tempo ou espaço, apenas aquele momento em que o sol escaldante beija a água, e penetra nas suas profundezas...

This used to be my playground