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"A casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo."
O mundo intoxicante e asfixiante, onde perco os sentidos, o cheiro a bolor a penetrar nas minhas narinas, fazendo confundir norte e sul, este e oeste.
Fujo, cambaleando, deste cheiro que teima em se impregnar nas minhas roupas, essa presença ubíqua a estalar na minha cabeça, fechando as suas garras sobre o meu pescoço dificultando a passagem de ar; o sangue a latejar cada vez mais forte na minha cabeça.
Grito!
Corro desvairada pelo solo pejado de enxofre e de corpos caídos em guerras perpétuas e mesquinhas.
Fujo para a segurança insegura da minha casa, essa casa tão velha e decadente como eu, onde ainda ontem arranjei o soalho e hoje mais uma janela que cai.
Caio sobre a poltrona, cansada e desanimada, com o peso do mundo sobre o meu esqueleto caquético.
Sinto os sentidos abandonarem-me, o corpo a desistir de perceber esse mundo cão.
Estou quase a adormecer…

Amanhã arranjo a janela.

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Conceito de fim...



Ontem abri aleatoriamente as páginas de um livro, tinha um leve cheiro do teu perfume. Estremeci, a tua memória preencheu-me.

Por momentos esqueci as minhas noites solitárias, tantas noite em que chorei até pensar que já não teria nada dentro de mim, em que todo o sentimento, toda a dor, toda a perda, foram derramadas sobre a almofada, essa almofada a que me agarro nessas noites que parecem não terminar, essa almofada que acalma os pesadelos que teimosamente insistem em visitar-me. Sinto-me oca, vazia, de tanto chorar...A gata, que ocupou o teu lugar na cama, acorda muitas vezes comigo a gritar o teu nome, acorda comigo empapada em suor. Coitada da bichana, mia baixinho junto do meu ouvido, numa tentativa de me reconfortar, o que até resulta, mas os pesadelos da tua ausência são uma visita constante.

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