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Regresso ao séc. XIX

Estas 2 noticias fazem-me questionar se estaremos no século XXI, ou se de repente, sem ninguém dar por nada recuámos para o séc. XIX...

Jardim quer rever Constituição e proibir comunismo como se o comunismo, ou o fascismo, fossem as únicas e exclusivas ideologias autoritárias e totalitárias. Não estaremos nós a viver num fascismo encapotado, onde todos os nossos passos são seguidos e onde há leis a regular todos os aspectos da nossa vida? Tomara a PIDE ter tido toda esta tecnologia ao seu dispor...

O que nos leva à outra noticia: Ministério da Saúde proibe gays de darem sangue, sob a desculpa de que constituem um grupo de risco, como se a promiscuidade e saltitar de cama em cama fosse um exclusivo dos homossexuais.O último relatório da Coordenação Nacional para a Infecção por VIH/sida, relativo a 2008, diz que, dos casos notificados - um total de 1201 -, a categoria de transmissão "heterossexual" representou mais de metade (57,6%), enquanto a transmissão associada à toxicodependência representou 21,9% e os casos de homo ou bissexuais apenas 16,8%.

Definitivamente, a silly season está oficialmente aberta, e enquanto houver papões, comunistas ou homossexuais, está tudo bem...



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Conceito de fim...



Ontem abri aleatoriamente as páginas de um livro, tinha um leve cheiro do teu perfume. Estremeci, a tua memória preencheu-me.

Por momentos esqueci as minhas noites solitárias, tantas noite em que chorei até pensar que já não teria nada dentro de mim, em que todo o sentimento, toda a dor, toda a perda, foram derramadas sobre a almofada, essa almofada a que me agarro nessas noites que parecem não terminar, essa almofada que acalma os pesadelos que teimosamente insistem em visitar-me. Sinto-me oca, vazia, de tanto chorar...A gata, que ocupou o teu lugar na cama, acorda muitas vezes comigo a gritar o teu nome, acorda comigo empapada em suor. Coitada da bichana, mia baixinho junto do meu ouvido, numa tentativa de me reconfortar, o que até resulta, mas os pesadelos da tua ausência são uma visita constante.

Às vezes penso se estes pesadelos não serão a minha consciência a gritar de culpa. Cheguei a desejar a tua morte, sabias? Houve uma altura em que me fartei de correr para…

7

Era uma porta enferrujada. E ela entrou.

O autocarro partiu e a porta atrás dela se fechou.
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Só pensava em fugir de uma vida sacrificada, na rotina de vida em que tombou.
Saiu de casa com os seus sacos mal o dia madrugou,
Regressa a casa com os seus sacos já a noite se fechou,
Sempre com os seus sacos, mais um dia que acabou.
Carrega uma vida nas pernas que o mundo desengonçou,
As mãos grosseiras, a pele acabada, de tanta casa que limpou.
Quando chega a casa ainda vai cuidar da filha que gerou,
A sopa num ápice tragou,
Enquanto a filha o peito mamou,
Mas de tão cansada nem a própria casa arrumou.
Chega o marido, traste, bêbado, canalha, bate-lhe e ela nem notou,
Mais um dia que se passou.
Deitou-se dorida e sonhou,
Sonhou com uma porta enferrujada que sobre ela se fechou
Ali, com uma pedra com o seu nome ela se deparou
E ela finalmente descansou...