Avançar para o conteúdo principal

Loucas são as noites que passo sem dormir...

Um silêncio denso, quase palpável, não me deixa adormecer;
Percorro as ruas nuas e desertas da cidade, autênticas montras de trapos humanos.
Entro na discoteca da moda. Os megawatts debitados através das colunas, sucedem-se...
Os corpos suados roçam-se uns dos outros, libertando a líbido adormecida.

Cruzam-se olhares e seduções, a dança dos corpos em breve começa,
Cansando-se até de madrugada, separando-se anonimamente...
Chego a casa, a agulha penetra-me nas veias,
Abandono-me ao torpor...

Comentários

  1. sempre misteriosa...

    ResponderEliminar
  2. Só posso dizer-te que a música é espectacular, apesar de já a conhecer. Quanto ao texto... o costume da MM

    ResponderEliminar
  3. O título recorda uma canção. Já o texto...

    Grande abraço do regressado de férias, ainda em ressaca das mesmas :):)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

8

Conceito de fim...



Ontem abri aleatoriamente as páginas de um livro, tinha um leve cheiro do teu perfume. Estremeci, a tua memória preencheu-me.

Por momentos esqueci as minhas noites solitárias, tantas noite em que chorei até pensar que já não teria nada dentro de mim, em que todo o sentimento, toda a dor, toda a perda, foram derramadas sobre a almofada, essa almofada a que me agarro nessas noites que parecem não terminar, essa almofada que acalma os pesadelos que teimosamente insistem em visitar-me. Sinto-me oca, vazia, de tanto chorar...A gata, que ocupou o teu lugar na cama, acorda muitas vezes comigo a gritar o teu nome, acorda comigo empapada em suor. Coitada da bichana, mia baixinho junto do meu ouvido, numa tentativa de me reconfortar, o que até resulta, mas os pesadelos da tua ausência são uma visita constante.

Às vezes penso se estes pesadelos não serão a minha consciência a gritar de culpa. Cheguei a desejar a tua morte, sabias? Houve uma altura em que me fartei de correr para…

7

Era uma porta enferrujada. E ela entrou.

O autocarro partiu e a porta atrás dela se fechou.
Carregada de sacos onde cabiam os sonhos que o mundo apagou,
Só pensava em fugir de uma vida sacrificada, na rotina de vida em que tombou.
Saiu de casa com os seus sacos mal o dia madrugou,
Regressa a casa com os seus sacos já a noite se fechou,
Sempre com os seus sacos, mais um dia que acabou.
Carrega uma vida nas pernas que o mundo desengonçou,
As mãos grosseiras, a pele acabada, de tanta casa que limpou.
Quando chega a casa ainda vai cuidar da filha que gerou,
A sopa num ápice tragou,
Enquanto a filha o peito mamou,
Mas de tão cansada nem a própria casa arrumou.
Chega o marido, traste, bêbado, canalha, bate-lhe e ela nem notou,
Mais um dia que se passou.
Deitou-se dorida e sonhou,
Sonhou com uma porta enferrujada que sobre ela se fechou
Ali, com uma pedra com o seu nome ela se deparou
E ela finalmente descansou...