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Diário do quotidiano

Levanto-me às 6h00,
Um pequeno-almoço pouco nutritivo e à pressa…
Corro para apanhar o barco,
Acompanham-me as conversas fúteis
E os suores dos sovacos alheios,
Procuro alhear-me refugiando-me no meu mp3.
O barco atraca,
Acompanho a manada…

Chego ao trabalho,
A realidade não é muito diferente…
A manada pica o ponto,
É controlada e contada,
Verifica-se se ninguém se tresmalhou…
Dirigem-se à cocheira respectiva,
Ruminam e regurgitam papéis e futilidades…
Historietas sobre a sua família, os sobrinhos, o marido…
Como se me interessasse minimamente as suas patéticas vidinhas…

A hora do trabalho acabou finalmente,
Enfrento mais uma vez o sacrifico dos suores estranhos,
Chego a casa,
Preparo o jantar congelado,
Vegeto no sofá em frente à TV…
Tentativa de homicídio ao pensamento crítico,
Tentativa de condicionamento de ideias diferentes
Através da injecção de ocas imagens…

Deito-me…
Amanhã é outro dia…
Dia igual a este…

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8

Conceito de fim...



Ontem abri aleatoriamente as páginas de um livro, tinha um leve cheiro do teu perfume. Estremeci, a tua memória preencheu-me.

Por momentos esqueci as minhas noites solitárias, tantas noite em que chorei até pensar que já não teria nada dentro de mim, em que todo o sentimento, toda a dor, toda a perda, foram derramadas sobre a almofada, essa almofada a que me agarro nessas noites que parecem não terminar, essa almofada que acalma os pesadelos que teimosamente insistem em visitar-me. Sinto-me oca, vazia, de tanto chorar...A gata, que ocupou o teu lugar na cama, acorda muitas vezes comigo a gritar o teu nome, acorda comigo empapada em suor. Coitada da bichana, mia baixinho junto do meu ouvido, numa tentativa de me reconfortar, o que até resulta, mas os pesadelos da tua ausência são uma visita constante.

Às vezes penso se estes pesadelos não serão a minha consciência a gritar de culpa. Cheguei a desejar a tua morte, sabias? Houve uma altura em que me fartei de correr para…

7

Era uma porta enferrujada. E ela entrou.

O autocarro partiu e a porta atrás dela se fechou.
Carregada de sacos onde cabiam os sonhos que o mundo apagou,
Só pensava em fugir de uma vida sacrificada, na rotina de vida em que tombou.
Saiu de casa com os seus sacos mal o dia madrugou,
Regressa a casa com os seus sacos já a noite se fechou,
Sempre com os seus sacos, mais um dia que acabou.
Carrega uma vida nas pernas que o mundo desengonçou,
As mãos grosseiras, a pele acabada, de tanta casa que limpou.
Quando chega a casa ainda vai cuidar da filha que gerou,
A sopa num ápice tragou,
Enquanto a filha o peito mamou,
Mas de tão cansada nem a própria casa arrumou.
Chega o marido, traste, bêbado, canalha, bate-lhe e ela nem notou,
Mais um dia que se passou.
Deitou-se dorida e sonhou,
Sonhou com uma porta enferrujada que sobre ela se fechou
Ali, com uma pedra com o seu nome ela se deparou
E ela finalmente descansou...