Avançar para o conteúdo principal

"É uma metáfora, estúpidos!"

Há por aí uns livros engraçados com títulos como "É a Economia, estúpido!" ou "É a Informática, estúpido!". A propósito da estreia do filme "Blindness", baseado no livro "Ensaio sobre a Cegueira" de Saramago, e a propoósito das manifestações da Federação Americana de Cegos, alguém lhe deveria dizer "É uma metáfora, estúpidos!".

Mas como podem os americanos conhecer estas figuras de estilo? Afinal têm Hemingway e Steinbeck, mas nenhum poeta que possa tê-los apresentado a outro tipo de escrita...

O "Ensaio sobre a Cegueira" retrata muito bem o que se passa na sociedade, uma sociedade que entra em colapso devido a uma epidemia de cegueira branca. Quando a sociedade fica tomada pelo medo, quer seja provocado pela insegurança, quer pelo colapso dos mercados financeiros, os seus habitantes ficam como que cegos, adoptando comportamentos e discursos que antes não teriam...
Alguém se importa de explicar isto aos americanos?

Comentários

  1. Está com pinta o teu novo visual ;);)

    E quanto aos americanos...nem vale a pena perder tempo.

    ResponderEliminar
  2. Afinal, o tempo da constipação foi bem aproveitado!
    Novo visual, muito catita.
    Quanto aos problemas com a cegueira, os americanos são uns patuscos.

    ResponderEliminar
  3. Alguém se importa de explicar isto aos americanos?

    Não obrigado. Tenho mais que fazer na vida que andar a ensinar a burros!

    ResponderEliminar
  4. O difícil de lhes explicar isso era termos que começar por lhes acrescentar umas boas centenas de anos de maturidade e aprendizagem... **

    ResponderEliminar
  5. ola mac
    esta tua critica está soberba. assino em baixo.
    beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

8

Conceito de fim...



Ontem abri aleatoriamente as páginas de um livro, tinha um leve cheiro do teu perfume. Estremeci, a tua memória preencheu-me.

Por momentos esqueci as minhas noites solitárias, tantas noite em que chorei até pensar que já não teria nada dentro de mim, em que todo o sentimento, toda a dor, toda a perda, foram derramadas sobre a almofada, essa almofada a que me agarro nessas noites que parecem não terminar, essa almofada que acalma os pesadelos que teimosamente insistem em visitar-me. Sinto-me oca, vazia, de tanto chorar...A gata, que ocupou o teu lugar na cama, acorda muitas vezes comigo a gritar o teu nome, acorda comigo empapada em suor. Coitada da bichana, mia baixinho junto do meu ouvido, numa tentativa de me reconfortar, o que até resulta, mas os pesadelos da tua ausência são uma visita constante.

Às vezes penso se estes pesadelos não serão a minha consciência a gritar de culpa. Cheguei a desejar a tua morte, sabias? Houve uma altura em que me fartei de correr para…

7

Era uma porta enferrujada. E ela entrou.

O autocarro partiu e a porta atrás dela se fechou.
Carregada de sacos onde cabiam os sonhos que o mundo apagou,
Só pensava em fugir de uma vida sacrificada, na rotina de vida em que tombou.
Saiu de casa com os seus sacos mal o dia madrugou,
Regressa a casa com os seus sacos já a noite se fechou,
Sempre com os seus sacos, mais um dia que acabou.
Carrega uma vida nas pernas que o mundo desengonçou,
As mãos grosseiras, a pele acabada, de tanta casa que limpou.
Quando chega a casa ainda vai cuidar da filha que gerou,
A sopa num ápice tragou,
Enquanto a filha o peito mamou,
Mas de tão cansada nem a própria casa arrumou.
Chega o marido, traste, bêbado, canalha, bate-lhe e ela nem notou,
Mais um dia que se passou.
Deitou-se dorida e sonhou,
Sonhou com uma porta enferrujada que sobre ela se fechou
Ali, com uma pedra com o seu nome ela se deparou
E ela finalmente descansou...