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Pachorra

Por vezes deseja-se encontrar a nossa cara metade, e parece que os deuses não nos ajudam. Mais parece Sisifo a rolar eternamente a pedra pela montanha. Mas não será por falta de pachorra?
Conforme a idade vai aumentando, vamos aumentando o nosso nível de exigências e também vai faltando paciência para certas e determinadas coisas. Coisas que até passariam despercebidas quando estaríamos na casa dos 20 anos, ou até pensaríamos "Ele vai mudar", na casa dos 30 e qualquer coisa assume uma grande proporção. Falta-nos aquela dose de pachorra para aturar certas mesquinhices, e depois também não apetece dar o braço a torcer. Já aturámos tanto em tantas relações, já crescemos emocionalmente, já conquistámos o nosso espaço e depois o resultado é que não apetece fazer cedências, dar a nossa independência assim, sem mais nem menos...

Comentários

  1. Acho que é o medo de ficarmos "dependentes" emocionalmente de alguém que muitas vezes nos trava e acabamos por procurar qualquer coisa para afastar aqueles(as) que querem entrar.

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  2. não há mesmo pachorra...de um lado a falta de cedências, do outro exigência na plenitude da coisa...

    o ke falta é o equilibrio e saber ke nada é perfeito e q a felicidade tem vários níveis. Não se é feliz e pronto, para ali.

    o teu texto podia ter sido escrito por mim ou para mim :)

    beijo do coração

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  3. Epa... Quando menos esperares é quando encontras... Quando desistires ou fizeres uma pausa na procura... Aparecerá a ti! Epá... Ao menos há gajos com 17 anos que já não têm de se preocupar com isso .... Precoces... Ou talvez seja a pouca exigência da idade...

    Fica bem ;)

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  4. De facto, subscrevo a ideia e a tendência para um individualismo exacerbado que deixa a falta de pachorra imperar. Mas as relações são feitas de tolerância, de cedência de espaços de partilha. Tem que haver flexibilidade, se queremos verdadeiramente estar com alguém e ter bases para uma relação sólida. Mas receio que isto passe a ser apenas teoria, porque casos como o teu estão já em maioria relativa e em poucos anos, podem chegar à maioria absoluta. Espero que assim não seja...aquele abraço ;)

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  5. Por acaso não é em casos como o meu...
    Mas que, quanto mais velhos somos, mais exigentes somos, isso é 1 certeza. Ou tu, amigo Tacitus, aturarias 1 chavala de 20 e poucos anos, com algumas manias, futilidades e ignorância de conhecimentos? Tenho a certeza de que não estarias para isso...

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  6. Gostei deste texto...
    A nossa independência vai ficando cada vez mais redobrada ao longo dos anos...e cada vez é mais dificil abrir mão dela!
    Principlamente da independência psicológica!

    kisss

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  7. Concordo com a Gala quando diz "o ke falta é o equilibrio e saber ke nada é perfeito". Se só quiseres e não deres vão ser muito poucas as opções. Eu com os meus poucos anos de vida (26 anos fresquinhos) posso chamar irreverência ao que tu chamas de "manias, futilidades" e no que respeita à "ignorância"... todos passamos por lá. Com a idade devíamos ficar mais pacientes com os mais "novos" (isto soa-me muito mal lol). Eu por mim voltava aos meus 16 e 18 anos (ou até mesmo criança) porque existia aquela "ignorância" do que sei hoje e não me preocupava com nada.

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  8. "
    o resultdo é que não apetece fazer cedências, dar a nossa idenpendência assim, sem mais nem menos...
    "

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  9. Viver a dois é um longo exercício de tolerância e paciência... e é muito difícil, por vezes.
    Mas se a paixão surge com força, quem pensa nisso? :)**

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  10. Anónimo18:52

    a verdade é que iver com a pessoa é uma coisa, e não viver é outra. e o rsto são cantigas. mas a experiencia é totalmente diferente

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  11. Anónimo18:52

    a verdade é que iver com a pessoa é uma coisa, e não viver é outra. e o rsto são cantigas. mas a experiencia é totalmente diferente

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  12. é a primeira vez que venho aqui e desculpa desde ja o tratamento informal.

    sinto que é verdade o que disseste. os desejos e a falta de pachorra é mais comum a todos nós do que aquilo que julgamos.

    é o tempo a mostrar-nos outras coisas, as verdadeiras pelas quais devemos perder o tempo.

    beijinhos da leonoreta

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  13. Ora... mas quando a cara metade surge não é preciso ter pachorra para essas coisas como "Ele vai mudar" porque simplesmente não precisa mudar! Basta que fique assim, igualzinho a ele mesmo, por isso é que é realmente cara-metade

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  14. Bom dia. Concordo com o que o Tiago disse: quando desistimos da procura ou lhe fazemos uma pausa, o Amor aparece quando menos esperamos e falo por experiência própria. De um momento para o outro sem contar pimba o cupido acertou-me com uma flecha em cheio. E cada vez as pessoas procuram relações estáveis, mas nos dias de hoje é muito difícil, mas nada que não se possa resolver.

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