Saio do trabalho, está inverno lá fora. Enfio o gorro na cabeça e as luvas nas mãos, pronta para enfrentar o frio cortante que se faz sentir. Percorro a infinitude das ruas, desertas e mergulhadas no silêncio da noite. Passo ao longo das arcadas que albergam os vários ministérios, e olho com comiseração para alguns sem-abrigo que ali procuram o seu refúgio...Tão perto do poder, e eles ali, tão pobres, tão despidos, sugados pela aleivosia do mundo...
Continuo o meu caminho, abanando a cabeça, procurando esquecer aquela visão de despojamento. Desvio o olhar para os beirais dos telhados e observo os sincelos...Tão belos...Parecem lágrimas deixadas pelos anjos...Sorrio...O misticismo associado a esta época dá-me para estas coisas...Só é pena o Pai Natal, ou o Menino Jesus, não se lembrar dos sem abrigo que ficaram lá atrás...Enfim...
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Estugo o passo, mal posso esperar para chegar a casa, o meu refúgio, o meu eremitério...Só penso no meu serão: leitinho quentinho, uma torrada feita em pão caseiro, e depois enrolar-me naquela manta quentinha urdida pela minha mãe...Ah! É mesmo um unguento para a alma...É uma preciosidade nos dias de hoje: o tempo, estes mimos para a alma, ou mesmo uma casa ou até uma mantinha...
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Estugo o passo, mal posso esperar para chegar a casa, o meu refúgio, o meu eremitério...Só penso no meu serão: leitinho quentinho, uma torrada feita em pão caseiro, e depois enrolar-me naquela manta quentinha urdida pela minha mãe...Ah! É mesmo um unguento para a alma...É uma preciosidade nos dias de hoje: o tempo, estes mimos para a alma, ou mesmo uma casa ou até uma mantinha...
Texto publicado no 8ºJogo das Palavras no Eremitério


