terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Aura







Fotografias Kirlian

O negro caminho, mais negro do que o Poço de Poe
Ladeado pelas três Fúrias, implacáveis no seu labor,
Apenas trespassado por uma ínfima luz,
Da aura de algo que brilha lá longe
No horizonte longíquo.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

2007



Querem-nos mesmo pôr a todos de olhos em bico. É ver por aí os outdoors da Swatch, a incentivar a comemoração do Ano do Porco.
Os chinas andam mesmo a invadir tudo....
Mas o que é isso do Ano do Porco?
Segundo uma antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos presentes. Apenas 12 animais compareceram e ganharam um ano de acordo com a ordem de chegada: o Rato; O Boi ou Búfalo; o Togre; O Coelho; o Dragão; a Cobra ou Serpente; o Cavalo; a Cabra ; o Galo; o Macaco; o Cão; o Porco. O Cavalo de Fogo rege a cada 60 anos. Segundo o horóscopo chinês, em 18 de Fevereiro de 2007 tem início o ano do Porco.

E pelos vistos há o favorecimento dos valores ligados à família e ao lar, a expansão, o prazer, o movimento e a generosidade. Será um período de mudanças no poder e favorecimento a grande ajuda aos necessitados.

À parte a chinesomania, 2007 vai ser um ano fértil em eventos para comemorar; vai-se assinalar os 200 anos da 1ª invasão francesa, de Junot, os 100 anos da criação dos escuteiros, os 50 do Tratado de Roma que criou a CEE e do aparecimento da televisão em Portugal, ou ainda os 50 anos do Sputnik e da criação da pina colada.

Assinala-se ainda os 500 anos da colonização portuguesa em Moçambique, os 250 anos dos motins dos vinhateiros do Alto Douro contra Pombal ou os 700 anos da 1ª sexta-feira 13, quando a 13 de Outubro de 1307 foram presos e depois extintos os Templários; os 300 anos da união entre Escócia e Inglaterra, os 60 da independência da India.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Feliz Natal!!

Para combater a visão consumista do Natal, fica aqui o relato dos Natais da minha infância:

Tudo começava umas semanas antes do Natal, com a busca de um pinheirito e musgo no pinhal mais próximo. Depois era a azáfama de montar a árvore com montes de fitas e luzinhas, e armar o presépio com as suas dezenas de figurinhas. Até tinha direito a castelo com soldados e lago.
No dia 24 à tarde faziamos as filhoses, cuja tijela já ia com umas ditas cujas a menos, por umas mãozitas terem andado a surripirá-las. Mais para a noite era o corropio de pôr a mesa, com a respectiva toalha natalícia, mais os doces, mais as comidinhas, e mais as garrafas de vinho do Porto. Depois íamos para a Missa do Galo (isto ainda era no tempo em que eu era uma "boa menina")...adorava esta missa; pelo facto de ser à noite, e as velas ficarem mais brilhantes e pelos cânticos de Natal. Depois chegávamos a casa, e eu e os meus primos (9 miudos ao todo) punhamos o sapatinho na chaminé, à espera da tão almejada prenda.
Às 6h da manhã do dia 25, a minha avó acordava toda a gente ao som duma sineta, e com os gritos de "É Natal, é Natal! Boas Festas!" E lá corríamos todos em direcção à chaminé, a ver o que o Pai Natal tinha trazido. E que bagunça aquela...só papéis e fitas por todo o lado.
Ricos tempos, vividos com uma inocência, que ainda tento conservar hoje em dia.

Aproveito para dizer que só regresso dia 2 de Janeiro, desejando um Feliz Natal e um Bom Ano Novo a todos os que por aqui passarem!!
Beijoquinhas e um abraço!!

domingo, 10 de dezembro de 2006

Relatividade

Photographed by Mac


Este rio que me afasta de ti, é o mesmo que me leva para junto de ti...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

1Dec - Dia da Luta contra a SIDA


Chamem-lhe teoria da conspiração, mas a mim ninguém me tira da cabeça que este foi um vírus fabricado em laboratório, e um dos grandes interessados a Igreja Católica. Afinal os anos 60 e a sua libertação sexual, tinham acontecido à pouco, e tínhamos acabado de sair dos loucos anos 70 com o LSD, o disco, a "promiscuidade", os homossexuais. Era necessário tornar a disciplinar a sociedade, tornar a incutir-lhe o medo do bicho papão e o repúdio pelo sexo.

Demorou 500 anos para que o Papa pedisse perdão pela Inquisição. Talvez daqui a 500 anos peçam perdão pelas vidas ceifadas graças à sua filosofia contra o uso do preservativo.

domingo, 19 de novembro de 2006

Deixa-me ir...

Ela tinha vivido os últimos meses no fio da agulha, dia após dia, dependente daquela substância milagrosa, qua afastava aquelas picadas alucinantes de dor e dava-lhe forças para aguentar mais um dia. Encontrava-se agora no limite das suas forças, depois da noite horrível que passou e que ela sabia ser a última. Ela olhou para o lado e os seus olhos encontraram-se com o do marido, junto à cabeceira daquela cama de hospital.

Ele também tinha passado por muito nestes últimos tempos, dando-lhe esperança e forças para combater aquele mal que se tinha apoderado dela, e que lhe corroia o corpo e os sentidos, acompanhando-a durante todo aquele caminho doloroso, gastando as precárias poupanças da família para lhe proporcionar mais um dia de vida.
Vida...Que vida? Se àquilo poderia-se chamar vida...Até já sentia o cheiro da sua carne em decomposição...Meu Deus, ao ponto que pode chegar a degradação humana...

Ele, que nem sequer acreditava na existência de Deus, e que agora pedia para ter mais 1 dia para poder abraçá-la...um sentimento egoísta, ele sabia-o. Sentiu as lágrimas a teimarem em aparecer, fazendo um esforço para contê-las. Ela não devia vê-lo chorar.

"Tens de me deixar ir. Tens de me libertar...", ouviu ela a sussurar por entre os gorgolelos de sangue que já lhe atacavam a garganta. Ele sabia que era verdade...deixou as lágrimas correrem livremente. "Descansa em paz minha querida, obrigada pela felicidade que me proporcionaste. Amo-te muito". E apesar do mar de dores em que ela se encontrava, ela sorriu e soltou um último suspiro.

Ele ficou a olhar aquele corpo mirrado, magro, miserável e quase irreconhecível. A batalha tinha sido ganha pelo cancro...

© MAC -

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Sugestões

Enquanto aguardo inspiração para um novo post, ficam aqui algumas sugestões:

Jacinta - 24Nov no CCB e 2Dez no CineBatalha (Porto)
Apresentação do segundo disco, gravado em Nova Iorque com grandes nomes do jazz americano, entre os quais Greg Osby, que também assina a produção do álbum. O espectáculo Day Dream insere-se no âmbito de uma grande digressão nacional. Duke Ellington, Thelonious Monk, Cole Porter são autores que Jacinta interpreta e, pela primeira vez, temas em Português – de José Afonso, Tom Jobim e Djavan, foram os escolhidos.

The Gift - 2Dez Fnac NorteShopping e 9Dez CCB
Apresentação do novo trabalho "Fácil de Entender".

Serralves - ANOS 80: UMA TOPOLOGIA: 11 Nov 2006 - 25 Mar 2007

Revisitar os anos 80. Reconsiderar os anos 80 pode servir como ferramenta para destacar e reflectir sobre alguma da arte do presente. Esta será uma exposição de grandes dimensões que utilizará todos os espaços do Museu, reunindo pela primeira vez em Portugal um conjunto muito significativo de obras fundamentais de uma década que também enquadrou a abertura internacional da arte portuguesa, se bem que essas mesmas obras só agora sejam vistas pela primeira vez no país.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Afinal...


Acordei com o teu nome a arranhar-me a garganta;
Queria dizê-lo em voz alta e não consegui.
Pensava que era a tua lembrança que não o deixava fazer.
Afinal...
Estava afónica.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Tentativa de acabar com a mama...



Clientes podem exigir à banca devolução dos arredondamentos
Regras para cálculo da taxa do crédito à habitação foram fixadas pelo Governo e têm carácter retroactivo.

http://dn.sapo.pt/2006/11/03/economia/todos_poder_reclamar_arredondamento_.html

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Porque hoje é Halloween


CÃO DA MORTE[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]

No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim
No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço

Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti
Morro Morro No altar de ti

This used to be my playground